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Dois afegãos convertidos ao cristianismo podem enfrentar pena de morte

Dois afegãos convertidos ao cristianismo podem enfrentar a pena de morte por renunciar ao islamismo, segundo a legislação local, num caso que evidencia as contradições de um país que é signatário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

28 de Novembro de 2010 às 13:46
Afeganistão, Islamismo, Cristianismo, Pena de morte
Afeganistão, Islamismo, Cristianismo, Pena de morte FOTO: d.r.

Musa Sayed e Ahmad Shah foram detidos em Cabul, onde aguardam julgamento, anunciou este domingo Din Mohammad Quraishi, o promotor encarregado do distrito ocidental de Cabul.

O caso foi, no entanto, encaminhado para o escritório da Procuradoria Geral da República, colocando em suspenso um processo seguido de perto por alguns governos ocidentais que não querem ver o Afeganistão, que financiam com milhares de milhões de dólares desde 2001, ignorar a liberdade de culto.

Os dois homens foram presos no final de maio, poucos dias após a transmissão de uma emissora de televisão local, a Noorin TV, de um vídeo aparentemente mostrando o baptismo de afegãos. Centenas de afegãos manifestaram-se em várias cidades contra essas conversões, denunciando a interferência do Ocidente.

Membros do Parlamento manifestaram a sua ira, um deles até mesmo pediu a execução pública dos convertidos. Entretanto, o governo havia suspendido a atuação de duas ONG´s cristãs, a norueguesa Church Aid e a americana Church World Service. Musa Sayed e Ahmad Shah - ambos da minoria xiita hazara -, são acusados de terem-se convertido a outra religião, o que é considerado crime pela lei islâmica.

"Ambos podem ser condenados à morte ou à prisão perpétua", disse o procurador Quraishi. Sayed, pai de seis filhos, trabalhava no Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) desde 1995. "Fomos visita-lo várias vezes à prisão", disse um porta-voz do Cruz Vermelha em Cabul. Numa carta enviada da prisão, a qual a AFP teve acesso, Sayed acusa Ahmad Shah de ser um espião dos xiitas para poderem denunciar os cristãos às autoridades.

"Ahmad Shah afirmou ser muçulmano e terá sido acusado injustamente", disse o procurador Quraish, acrescentando que propuseram "a Musa Sayed voltar ao islamismo, mas ele recusou-se".

A Constituição afegã, aprovada depois da queda do regime taliban no final de 2001, tem por base a lei islâmica, que proíbe a renúncia do Islão, mas entretanto também menciona a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em 2006, um caso semelhante atraiu forte condenação internacional. A Justiça afegã finalmente libertou Abdul Rahman, um afegão convertido ao cristianismo, que então se refugiou na Itália.

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