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Correio da Manhã

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Dono da discoteca já está detido

Quase a terminar o ano, a Argentina foi palco de uma das piores tragédias ocorridas no país, quando uma discoteca da capital, Buenos Aires, se incendiou, provocando a morte a 175 pessoas. Ontem, as autoridades detiveram o proprietário do estabelecimento, tendo sido declarados três dias de luto nacional.
1 de Janeiro de 2005 às 21:25
O incêndio ocorreu na madrugada da passada quinta-feira, numa altura em que estariam na discoteca ‘República de Cromagnon’ cerca de quatro mil pessoas, na sua maioria adolescentes, quase o triplo da capacidade daquele estabelecimento de diversão nocturna. Tudo se terá passado no início da actuação da banda ‘rock’ Los Callejeros, quando alguns adolescentes lançaram um foguete, que pegou fogo ao tecto, feito de borracha e revestido de tecido. Depois, foi o pânico, com os jovens a fazerem tudo para tentarem sair da discoteca.
“A borracha começou a arder, mas quase sem chamas, provocando um fumo terrível que matava quem o inalasse”, referiu a adolescente Cecilia Arce, de 15 anos, descrevendo o cenário que se vivia na discoteca.
PÂNICO E DESESPERO
Face a este panorama, o desespero e o pânico instalaram-se no interior da discoteca, procurando os jovens, a todo o custo, um local por onde sair. No entanto, os clientes do estabelecimento viram gorados os seus esforços, uma vez que as saídas de emergência estavam fechadas, para evitar que entrassem clientes sem pagar. No final, perderam a vida 175 pessoas, tendo 714 ficado feridas, 102 das quais com gravidade.
“Por causa da ganância do proprietário, muitas pessoas que poderiam ter sido salvas, acabaram por morrer”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Buenos Aires, Anibal Ibarra.
Já ontem, o prorietário da discoteca, Omar Chaban, foi detido sem oferecer qualquer tipo de resistência, depois de um juiz ter ouvido testemunhos de sobreviventes da tragédia, embora não tivesse sido ainda formalmente acusado. Caso venha a ser condenado, o proprietário incorre numa pena de prisão que poderá ir até 20 anos.
Refira-se que o governo argentino, que declarou três dias de luto nacional, deu ainda ordem para que todos os clubes nocturnos estivessem encerrados durante a passagem de ano.
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