Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

Dono da JBS entrega-se à polícia em São Paulo

Prisão de Joesley Batista tinha sido decretada pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 10 de Setembro de 2017 às 19:07
Joesley Batista
Joesley Batista
Joesley Batista
Joesley Batista
Joesley Batista
Joesley Batista

O empresário Joesley Batista, dono da JBS, líder mundial na produção de proteína animal e que teve a prisão decretada pelo juíz Luiz Edson Fachim, responsável pelos processos da operação anti-corrupção Lava Jato que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, entregou-se na tarde deste domingo à polícia. Com ele entregou-se igualmente o diretor de relações institucionais da J&F, a holding que controla a JBS, Ricardo Saud, que também teve prisão decretada pelo mesmo magistrado.

Os homens entregaram-se às autoridades na sede da Polícia Federal de São Paulo, na zona oeste desta cidade, depois de uma negociação entre os advogados e a corporação. Como o processo a que se referem os mandados de prisão tramita no STF, em Brasília, os dois executivos devem ser transferidos para a capital federal do Brasil.

Joesley e Saud tornaram-se os mais famosos "arrependidos" a colaborarem com a Operação Lava Jato ao denunciarem o envolvimento do presidente do Brasil, Michel Temer, em corrupção. Por essa colaboração com a justiça, ganharam imunidade total, mas esse benefício foi suspenso por Edson Fachim depois de uma gravação de quatro horas descoberta há uma semana ter mostrado que tanto Joesley quanto Saud não contaram tudo o que sabiam sobre crimes praticados por eles e por terceiros e que continuavam a tramar.

Na gravação, entregue à Procuradoria-Geral, alegadamente, por engano pelo próprio Joesley Batista na semana passada, o mega-empresário e Saud combinam estratégias para se aproximarem e pressionarem o Procurador-Geral, Rodrigo Janot, em seu favor. E eles vão mais longe e até combinam usar o ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff, José Eduardo Cardoso, para obterem informações comprometedoras sobre juízes do STF com o intuito de conseguirem a dissolução daquele tribunal.

As revelações feitas em Maio por Joesley, o irmão dele, Wesley, e por Ricardo Saud, estiveram na origem da denúncia por corrupção apresentada em junho por Rodrigo Janot contra Temer, que o parlamento travou depois de o presidente conceder milhares de milhões de euros em verbas para obras e projectos de deputados. E devem ser igualmente a base da esperada segunda denúncia contra Temer, desta feita por obstrucção de justiça e formação de organização criminosa, que deve ser apresentada ainda esta semana por Janot, já que ele deixa o cargo no próximo dia 17.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)