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Correio da Manhã

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Condenação de 12 separatistas gera caos e revolta em Barcelona

9 a 13 anos de cadeia por sedição para Junqueras e 8 outros líderes catalães.
Francisco J. Gonçalves 15 de Outubro de 2019 às 01:30
Doze separatistas condenados na Catalunha
Juízes descartaram o crime de rebelião e condenaram os principais arguidos por sedição. Regime prisional fica ao critério das autoridades da Catalunha
Puigdemont está exilado na Bélgica e vai ser de novo alvo de um mandado de prisão
Cargas policiais junto ao aeroporto El Prat, em Barcelona, que foi invadido por milhares de manifestantes
Doze separatistas condenados na Catalunha
Juízes descartaram o crime de rebelião e condenaram os principais arguidos por sedição. Regime prisional fica ao critério das autoridades da Catalunha
Puigdemont está exilado na Bélgica e vai ser de novo alvo de um mandado de prisão
Cargas policiais junto ao aeroporto El Prat, em Barcelona, que foi invadido por milhares de manifestantes
Doze separatistas condenados na Catalunha
Juízes descartaram o crime de rebelião e condenaram os principais arguidos por sedição. Regime prisional fica ao critério das autoridades da Catalunha
Puigdemont está exilado na Bélgica e vai ser de novo alvo de um mandado de prisão
Cargas policiais junto ao aeroporto El Prat, em Barcelona, que foi invadido por milhares de manifestantes
O Supremo Tribunal espanhol impôs esta segunda-feira penas entre os 9 e os 13 anos de cadeia aos principais líderes separatistas catalães condenados por crimes de sedição. A pena mais pesada foi para Oriol Junqueras, ex-vice-presidente do governo da Catalunha.

O tribunal considerou que não havia lugar à condenação por rebelião, crime que teria agravado substancialmente as penas, em alguns casos para o dobro, porque a violência registada antes e durante o referendo separatista de 1 de outubro de 2017 "não foi ordenada de forma instrumental" para servir os fins "que animam a ação dos rebeldes".

Tal como no caso de Junqueras, as penas dos ex-ministros Raúl Romeva, Jordi Turull e Dolors Bassa (12 anos de cadeia) foram agravadas pelo delito de desvio de fundos públicos para a realização do referendo. A ex-presidente do parlamento catalão Carme Forcadell e os ex-ministros Josep Rull e Joaquim Forn, inocentados de desvio de fundos, são condenados, respetivamente, a 11 e 10 anos de cadeia. O mesmo delito foi punido com 9 anos nos casos dos líderes das associações ANC e Òmnium Cultural, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart.

Em reação à sentença, os líderes condenados desafiaram o tribunal e as autoridades espanholas, frisando que isto não será o fim da luta separatista. "Não há prisões suficientes para prender o anseio de liberdade de um povo", afirmou Josep Rull, depois de olhar nos olhos, um a um, os juízes do tribunal.

"Neste banco não estamos só 12 pessoas, mas sim mais de dois milhões de outras que se sentem afetadas com o que nos trouxe até aqui", disse, por seu lado, Romeva, enquanto Junqueras fez um derradeiro apelo "à política e ao diálogo".

"100 anos de prisão é uma barbaridade"
O ex-presidente catalão Carles Puigdemont, exilado na Bélgica, considerou que "100 anos de prisão no total é uma barbaridade" e pediu a todos: "É preciso reagir, agora mais do que nunca, pelo futuro das nossas filhas e filhos e pela democracia".

Foi pedida, entretanto, a reativação do mandado internacional de prisão em seu nome.

"Exigimos o fim da repressão e a liberdade"
O presidente do governo catalão, Quim Torra, classificou a sentença como "injusta e antidemocrática" e considerou-a "extensiva a milhões de catalães" que apoiam a independência.

Exigiu "o fim da repressão e a liberdade dos presos políticos", instou o governo espanhol a amnistiar os condenados e anunciou que pedirá uma reunião com o rei Felipe VI e com o PM, Pedro Sánchez.

"A sentença vai ser cumprida na totalidade"
O PM espanhol, Pedro Sánchez, afastou a possibilidade de um indulto aos separatistas condenados e frisou: "Acato a sentença, o que significa o seu cumprimento integral".

Apesar disso, evitou falar de indulto, como lhe exigia a oposição. Quem o fez foi o ministro do Fomento, José Luis Ábalos: "Não faz sentido falar de indultos, desde logo porque o governo não tem essa vontade".

Manifestantes bloqueiam aeroporto de Barcelona
Milhares de pessoas invadiram esta segunda-feira o aeroporto El Prat, em Barcelona, levando ao cancelamento de mais de uma centena de voos (108, segundo algumas fontes, apenas 67, segundo o governo). Apesar das cargas policiais, os manifestantes bloquearam também os acessos ao aeroporto, deixando centenas de passageiros sem transportes para o centro da cidade.

Paralelamente decorriam outras manifestações nas ruas de Barcelona, onde milhares de pessoas exibiram cartazes de apelo à libertação dos separatistas condenados.

No Twitter, os organizadores do protesto prometeram fazer uma vigília no aeroporto. "Ante a ação policial, a nossa resposta é a desobediência civil, que por definição não é violenta", lê-se na página de Tsunami Democràtic: "Se querem criar uma situação de tensão, a nossa resposta será maciça. Somos massa e não nos moverão".

Os manifestantes cortaram linhas férreas, entre elas a do AVE, comboio de alta velocidade que liga Barcelona a França, junto a Girona, e várias linhas suburbanas. Algumas das linhas ficaram sem circulação até hoje. Houve igualmente cortes de estradas, nomeadamente na A-2, junto a Mataró, e na A-7, perto de Girona.

Em várias localidades catalãs as autoridades locais solidarizaram-se com os protestos contra uma sentença classificada como "castigo político".

Acesso a libertação aos fins de semana
A sentença do Supremo Tribunal deixa ao critério das autoridades catalãs se os condenados podem, desde já, sair da cadeia aos fins de semana.

"A opção é construir outro Estado"
Oriol Junqueras, condenado a 13 anos , reagiu à pena: "Não há opção a não ser construir outro Estado para fugir deste que condena democratas".

PP e Cidadãos saúdam sentenças pesadas
PP e Cidadãos saudaram as sentenças, mas o líder dos populares promete mudar a lei para endurecer as penas a crimes de separatismo.
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