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Edward Snowden critica Rússia

Snowden lamenta as limitações à liberdade de expressão.
5 de Setembro de 2015 às 16:54
Edward Snowden
Edward Snowden FOTO: EPA
O ex-consultor informático norte-americano Edward Snowden criticou este sábado as limitações à liberdade de expressão na Rússia, país onde se refugiou e para onde explicou que "nunca teve intenção de ir".

Inquirido sobre a situação dos direitos humanos e, em particular, sobre o controlo da internet pelas autoridades do país onde reside há dois anos, Snwoden mostrou-se pessimista.

"É dececionante, é irritante. Esta decisão do Governo russo de controlar cada vez mais a internet, controlar cada vez mais o que as pessoas veem, incluindo alguns aspetos da vida privada, para decidir qual é a forma adequada ou inadequada de expressarem o seu amor uma pela outra, não está apenas totalmente errada como não é o papel de qualquer Governo", sustentou.

Snowden recordou que residir na Rússia não foi uma escolha sua, mas uma vicissitude. "Nunca tive intenção de ir para a Rússia, esse nunca foi o meu plano. Estava apenas de passagem, em direção à América Latina. Infelizmente, o meu passaporte foi congelado, foi cancelado pelos Estados Unidos", explicou.

Swondem afirma que a ideia de deixar Hong Kong não foi sua

O cidadão norte-americano, que abandonou em maio de 2013 o seu trabalho na ilha do Hawai para fazer revelações ao diário britânico The Guardian a partir de Hong Kong, frisou que a ideia de deixar a cidade chinesa em direção à Rússia lhe foi sugerida pelo fundador da Wikileaks, Julian Assange.

"Penso que a sua intenção era boa. Enquanto editor, ele estava a concentrar-se em primeiro lugar na minha segurança e, tendo uma fonte, interessava-lhe a proteção dessa fonte. Mas o problema é que eu não estava interessado na minha própria segurança, na minha própria proteção", observou. "Nunca esperei ser hoje livre, esperava estar na prisão", acrescentou.

O ex-consultor informático da Agência Nacional de Segurança (NSA) norte-americana criticou todos os governos que ignoraram os seus pedidos de asilo, citando países "na Europa ocidental" - entre os quais a Noruega -, "na América Latina" e o Canadá.

"Pedi asilo a 21 países. Mantiveram-se todos em silêncio", recusando-se a analisar o pedido porque não tinha sido apresentado no seu território. A Rússia foi, aliás, um dos últimos países aos quais apresentei o meu pedido", sublinhou o cidadão norte-americano.
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