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Eleição na Câmara dos Deputados brasileira surpreende

A eleição, realizada no final da noite de terça-feira, para a presidência da Cãmara dos Deputados, em Brasília, confirmou o peso dos aliados da presidente Dilma Rousseff, mas também revelou uma inesperada força de parlamentares “rebeldes”, que já deixaram claro não irem aceitar todas as orientações dos seus partidos. Isso ficou patente nos 131 deputados que votaram noutras candidaturas à presidência, apesar de o vencedor, Marco Maia, do PT, (Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva e Dilma Rousseff(, ser apoiado por nada menos que 21 dos 22 partidos com representação na casa.
2 de Fevereiro de 2011 às 19:26
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff FOTO: Reuters

Não sendo apoiado apenas pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), de pequena representação, esperava-se que Marco Maia recebesse a quase totalidade dos votos dos 513 deputados, mas isso não aconteceu. Maia foi eleito com 375 votos, conseguindo uma vitória tranquila, mas os 131 votos contra, uns da base aliada do governo e outros dos grandes partidos de oposição, que também apoiavam o candidato governamental, são um alerta de que nem tudo vai ser tão fácil quanto o governo esperava.

Marco Maia, que sucede na presidência da Cãmara dos Deputados ao agora vice-presidente da República, Michel Temer, concorreu defendendo uma plataforma de reformas políticas e económicas sem radicalismos, respeito à oposição e, após a victória, prometeu fazer com que os brasileiros se orgulhem dos seus deputados. É a mesma promessa de presidentes anteriores, mas que, apesar disso, não conseguiram evitar uma enorme e desgastante sucessão de escândalos de corrupção, a maioria deles protagonizados ou pelo próprio PT ou por outros partidos da base que sustentava Lula e agora apoia Dilma.

REBELDES PODEM SER PUNIDOS

Dos outros três deputados que concorreram à presidência da cãmara, dois podem sofrer punições, e até ter que enfrentar processos para expulsão dos seus partidos. Chico Alencar, do PSOL, que obteve 16 votos, concorreu com autorização partidária, mas Jair Bolsonaro, do PP (Partido Progressista), e, principalmente, Sandro Mabel, do PR (Partido da República), podem ter problemas.

O PR é o terceiro partido mais importante da base governamental no Congresso e costuma ser um dos mais fiéis ao governo. Sandro Mabel, alegando que não teme represálias pois agiu em nome da sua consciência e querendo dar voz aos descontentes, desafiou o apoio do PR a Marco Maia e partiu para uma candidatura autónoma. Líderes partidários já falam até em expulsá-lo, mas há igualmente uma corrente forte opinando que se esqueça o assunto, em nome da história de Mabel no partido.

SARNEY VENCE NO SENADO

Como o “Correio da manhã” já informou terça-feira, na outra casa parlamentar do Congresso, o Senado Federal, o vencedor para o cargo de presidente foi o ex-presidente da República, José Sarney, do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), também da base governamental. Sarney, que já ocupava o cargo há dois anos, foi reeleito com 70 dos 81 votos, tendo o outro candidato, senador Randolfe Rodrigues, do PSOL, obtido apenas 8.

Essas votações expressivas, tanto na Cãmara quanto no Senado, são fruto de um acordo entre os dois maiores partidos das duas casas, o PT e o PMDB, ambos da base aliada de Dilma. Pelo acordo, a Cãmara ficou este ano para o PT e o Senado para o PMDB, para, daqui a dois anos, quando os mandatos de presidente cessarem, se inverterem as situações. Nessa altura, e continuando os deputados e senadores os mesmos, já que os mandatos dos primeiros são de quatro e dos segundos de oito anos, o PMDB passará a comandar a Cãmara e o PT a comandar o Senado. A oposição, fortemente reduzida nas eleições de Outubro passado, resolveu apoiar o acordo e não apresentar candidato, em troca de cargos na direcção das duas casas.

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