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Eleições são teste ao poder de Lula

Cento e vinte e oito milhões de brasileiros, o maior número da história eleitoral do país, vão hoje às urnas eleger vereadores e presidentes de câmara em mais de 5600 cidades. Para o presidente Inácio Lula da Silva e partidos aliados, que se empenharam fortemente na campanha, a votação, mais do que uma questão local, é o início da corrida às Presidenciais de 2010.
5 de Outubro de 2008 às 00:30
Militares vão estar nas ruas para garantir a segurança dos eleitores
Militares vão estar nas ruas para garantir a segurança dos eleitores FOTO: Epa

O presidente, que afirmou ter um projecto de poder para vinte anos, percorreu o Brasil para dar pessoalmente apoio aos aliados e assim conseguir que a sua base de apoio obtenha uma esmagadora vitória. A estratégia de Lula é a de ao longo dos próximos dois anos favorecer o mais possível os apoiantesmunicipais para que eles influenciem a corrida para a eleição do sucessor indicado por Lula, que em 2010 não poderá concorrer por já ter cumprido o segundo mandato mas que poderá recandidatar-se em 2014.

Segundo sondagens, entre as 13 capitais de estado onde o presidente de câmara poderá ser eleito hoje, em pelo menos dez os favoritos são aliados de Lula. Naquelas onde a disputa está renhida e nas oito onde provavelmente haverá segunda volta, outros apoiantes presidenciais estão na liderança ou bem colocados. A tendência é para que os brasileiros reelejam boa parte dos actuais presidentes de câmara ligados a Lula da Silva e que em várias cidades importantes, até agora governadas por opositores, se opte por eleger igualmente candidatos apoiados pelo actual chefe de Estado brasileiro.

TROPAS EM 400 CIDADES

A intranquilidade verificada durante a campanha eleitoral e o receio de que algo possa interferir na normalidade da votação de hoje obrigou o Tribunal Superior Eleitoral a enviar tropas federais para mais de 400 cidades, um aumento de 13% em relação ao último pleito municipal de há quatro anos. Os militares vão actuar em 13 estados, não estando incluído nesta lista o do Rio de Janeiro, onde tropas federais já ali estão desde Setembro. No caso da capital carioca, as tropas foram enviadas pelo Ministério da Defesa a pedido do governo do estado.

Tanta preocupação não é exagero tendo em conta que mais de vinte candidatos foram assassinados e, ainda ontem, a poucas horas do início da votação, houve incidentes, nomeadamente em São Paulo.

PORMENORES

IDOSOS

Os eleitores com mais de setenta anos, apesar de não serem obrigados a votar, ouviram na campanha muitas promessas. É que eles já são 8,4 milhões.

RIVAIS E SÓCIOS

Numa cidade do estado do Mato Grosso os dois principais rivais na disputa pela presidência de câmara são sócios em vários negócios, incluindo numa grande empresa da região.

GUARDA-COSTAS

Em várias cidades do interior do Brasil, principalmente no nordeste, os candidatos contrataram polícias para fazer a sua segurança e para os acompanharem em todos os eventos da campanha.

TRAFICANTES

Em favelas do Rio as tropas federais tiveram de ficar horas ao Sol a destruir barreiras de ferro e cimento erguidas por traficantes.

 

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