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Correio da Manhã

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EM HONRA DOS HERÓIS

O presidente norte-americano George W. Bush homenageou ontem os sete astronautas que perderam a vida no desastre do vaivém Columbia e prometeu que, apesar da tragédia, o programa espacial americano “vai continuar”.
5 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Acompanhado pela primeira dama Laura Bush e pelos ex-astronautas John Glenn e Neil Armstrong, respectivamente, o primeiro americano em órbita e o primeiro homem na Lua, Bush presidiu a uma cerimónia singela mas carregada de emoção que decorreu num relvado junto ao centro espacial Johnson, no Texas, e que reuniu milhares de pessoas. “Hoje recordamos não apenas o momento da tragédia, mas sete vidas de grande determinação e sucesso. Cada um deles sabia que as grandes descobertas comportam grandes riscos, mas aceitaram-nos de bom grado em prol da causa da descoberta”, afirmou Bush num curto discurso que trouxe as lágrimas aos olhos de muitos dos presentes.

No Texas e no Louisiana prossegue, entretanto, a gigantesca operação de localização dos destroços do vaivém, tendo já sido encontrado o “nariz” do aparelho, o qual, segundo testemunhas, parece estar “razoavelmente intacto”. A NASA está também a ponderar a possibilidade de estender as buscas à Califórnia, depois de várias testemunhas terem indicado que pedaços do vaivém poderão ter caído naquele estado.

Até ao momento, já foram recolhidos mais de dois mil destroços do Columbia, cujo tamanho varia entre pequenos pedaços, de dimensões idênticas a um selo de correio, e outras partes maiores, do tamanho de um pequeno automóvel. A recuperação dos destroços poderá levar meses ou, até, anos, admitiu ontem um responsável da NASA.

A agência espacial americana acredita cada vez mais que a destruição do vaivém terá sido provocada por um sobreaquecimento da asa esquerda durante a reentrada na atmosfera terrestre. Os investigadores procuram agora encontrar o ”elo perdido” que justifique os danos sofridos pela asa durante o lançamento.
turismo espacial ‘congelado’

A agência espacial russa anunciou ontem que os voos comerciais das cápsulas Soyuz, destinados a levar turistas milionários ao espaço, serão congelados até nova ordem, para que a agência possa concentrar todos os seus recursos materiais e financeiros no abastecimento da Estação Espacial Internacional (EEI).

Recorde-se que, com o desaparecimento do vaivém Columbia, as cápsulas russas Soyuz são os únicos veículos espaciais equipados para acoplar à EEI. Como estas cápsulas demoram dois anos a construir e não são reutilizáveis - ou seja, servem apenas para uma viagem de ida e volta - a agência decidiu “poupá-las” para garantir o abastecimento da estação e a rotatividade da respectiva tripulação enquanto a NASA investiga as causas do desastre do Columbia e prepara um dos três restantes vaivéns para acoplar à EEI.
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