Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Embaixadores árabes no Brasil pedem reunião urgente com Bolsonaro

Polémica visita do presidente brasileiro a Israel na origem do pedido de reunião.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 2 de Abril de 2019 às 19:33
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro

Os embaixadores dos países árabes e islâmicos acreditados no Brasil pediram uma reunião urgente com o presidente do país, Jair Bolsonaro, que deve regressar a Brasília na quinta-feira após uma polémica visita a Israel. Os embaixadores representam 41 países, entre nações árabes e outras não árabes mas igualmente muçulmanas.

Apesar de no pedido de audiência se citar como motivo a apresentação de cumprimentos a Bolsonaro, que tomou posse em 1 de janeiro, a razão do encontro e da urgência é a viagem a Israel e a mudança de postura do governo brasileiro em relação ao Médio Oriente.

Em Israel, Bolsonaro deixou a tradicional neutralidade brasileira de lado, tratou o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, de "irmão" e prometeu um alinhamento total do Brasil com a política dele.

Para o mundo árabe e muçulmano foram dois gestos de Bolsonaro considerados ofensivos pela maioria e, para alguns mais radicais, uma declaração de hostilidade. Primeiro, Bolsonaro anunciou a criação de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém, cidade disputada por Israel e pela Palestina e considerada pelos árabes ocupada ilegalmente pelo exército israelita, e, num outro momento, o brasileiro visitou o Muro das Lamentações, que fica na parte de Jerusalém que os árabes consideram seu território, sem ter pedido qualquer autorização à Autoridade Palestina.

O governo da Palestina já anunciou que vai retirar o seu embaixador no Brasil para consultas, um gesto que em diplomacia significa grave descontentamento de um país com o outro, e a Liga Árabe, que reúne 22 países, vai fazer uma reunião extraordinária para tratar da nova postura brasileira para a região, avaliando que o Brasil, até agora parceiro neutro de uma eventual solução para o conflito entre palestinos e israelitas, passou a ser parte do problema ao aliar-se a Telavive.

Além de uma provável reprovação diplomática, a nova posição brasileira pró-Israel pode redundar num enorme prejuízo para o Brasil, que exporta para o mundo árabe milhares de milhões de euros nas mais diversas mercadorias, nomeadamente carne de boi e de aves.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)