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Emissão de obrigações em Cabo Verde dispara para mais de 48ME em 2022

Mercado de valores mobiliários reforça a contribuição para o financiamento da economia em ano "notável".

21 de julho de 2023 às 14:45

A emissão de obrigações em Cabo Verde ascendeu a 48 milhões de euros em 2022, ano considerado "notável", com o mercado de valores mobiliários a reforçar a contribuição para o financiamento da economia, conforme relatório divulgado esta sexta-feira.

Segundo o relatório sobre a situação do Mercado de Valores Mobiliários e atuação da Auditoria Geral do Mercado de Valores Mobiliários (AGMVM), no ano passado a emissão de obrigações por empresas não financeiras em Cabo Verde atingiu os 2.105 milhões de escudos (19 milhões de euros), valor cerca de seis vezes superior aos 355 milhões de escudos (3,2 milhões de euros) do ano anterior.

Por sua vez, o financiamento das sociedades financeiras (instituições de crédito), foi de 3.239 milhões de escudos (29,3 milhões de euros), enquanto em 2021 tinha sido de apenas 150 milhões de escudos (1,3 milhão de euros).

Segundo o documento divulgado pelo Banco de Cabo Verde (BCV), a emissão de obrigações por empresas não financeiras compara ao valor médio anual das emissões dos últimos 25 anos, que foi de 1.746 milhões de escudos (15,8 milhões de euros).

"O mercado de valores mobiliários de Cabo Verde teve um desempenho notável em 2022", lê-se no relatório, referindo que o desempenho foi marcado pela valorização do preço das ações das quatro sociedades cotadas, que determinou um aumento da capitalização bolsista do segmento na ordem dos 37%.

Também o mercado de valores mobiliários reforçou a sua contribuição para o financiamento da economia nacional, principalmente através de emissão de dívida.

"A dívida emitida visou o financiamento de projetos nas áreas das telecomunicações e dos serviços postais e correios, bem como a execução, em parte, do Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidade (PRRA)", prosseguiu a mesma fonte.

No ano em análise, o valor emitido das obrigações empresariais foi em mais de 10 vezes superior ao de 2021, impulsionadas pelo recurso ao mercado pelas sociedades não financeiras públicas e por empresas da construção civil para execução de um programa de investimento público.

A auditoria concluiu que não se registou qualquer financiamento via participação no capital e que a performance do mercado acionista ficou marcada pela valorização das ações das quatro sociedades cotadas.

Das oito emissões de obrigações empresariais ocorridas em 2022, a AGMVM indicou que três foram de títulos sustentáveis e uma de 'credit linked notes' (crédito financeiro) e que todos os valores mobiliários foram emitidos na modalidade de oferta particular e três à cotação.

O presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC), Miguel Monteiro, previu anteriormente mais do que duplicar até 2025 o total de empresas cotadas, para uma dezena, alargando às pequenas e médias empresas.

Atualmente, o valor mínimo para uma empresa ser cotada na bolsa de Cabo Verde é de 100 milhões de escudos (cerca de 900 mil euros), mas o presidente da BVC já admitiu que essa exigência poderá cair para 20 a 30 milhões de escudos (180 a 270 mil euros).

A Bolsa de Valores de Cabo Verde foi criada em maio de 1998 e conta ainda com quatro empresas cotadas, nomeadamente o Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo Caixa Geral de Depósitos) e para a Caixa Económica, e outras que emitem obrigações.

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