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Correio da Manhã

Mundo

ENERGIA SEM LUZ VERDE

A União Europeia (UE) foi ontem derrotada na Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, a decorrer em Joanesburgo, no objectivo de fixar metas para promover as fontes de energia renovável.
2 de Setembro de 2002 às 22:39
Os Estados-membros da ONU comprometeram-se apenas, sem referência a datas, a “realizar um aumento substancial na produção de energias renováveis”, nomeadamente solar, eólica e hídrica, disse ao CM o secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins. As Organizações Não Governamentais (ONG) portuguesas presentes consideraram o compromisso obtido “um desaire”.

Mais moderado, José Eduardo Martins afirmou ter sido este “o acordo possível, com cedências de ambos os lados”, notando que também os Estados Unidos, Japão e Estados-membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) acataram a decisão de incrementar o uso de energia ‘verde’.

A UE pretendia que 15 por cento da produção mundial de energia tivesse origem em fontes renováveis até 2010. Queria vê-lo escrito, contando, na defesa desta meta, com o apoio de países como o Brasil, Canadá, Suíça e Noruega. Integrando algumas nações produtoras de petróleo, o G77 (países em vias de desenvolvimento) mostrou divisão num capítulo em que Portugal consegue, de alguma maneira, ‘brilhar’.

Com 13 por cento da electricidade resultante de fontes renováveis, o nosso País detém, depois da Suécia, Finlândia e Áustria, o quarto lugar em matéria de aproveitamento de energia ‘verde’ na UE, onde a média não ultrapassa seis por cento.

Francisco Ferreira, dirigente da associação ambientalista Quercus, não escondia o desalento em face do acordo tirado ontem ‘a ferros’ no último “dossier” do Plano Global, que inclui também a saúde, a água, a pobreza e biodiversidade. “É meramente indicativo. Nada obriga ninguém. Um desaire”, opinou ao CM a partir de Joanesburgo, onde decorre até quarta-feira a cimeira.

O texto da Declaração final, que deve ser subscrita pelos chefes de Estado e de Governo, redigido pelo Presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, é por enquanto “um texto muito enfraquecido, nem claro nem sucinto”, disse Francisco Ferreira.

O primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, preferiu sublinhar a importância da defesa dos oceanos e do respectivo ecossistema no desenvolvimento sustentável como um passo essencial para países costeiros como Portugal. Barroso realçou o tema dos Oceanos - na elaboração do qual Portugal teve particular responsabilidade - no início da reunião de Chefes de Estado e do Governo da Cimeira.
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