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Entrada do Estado holandês na Air France-KLM causa apreensão em Paris

Ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, vai receber o seu homólogo holandês, Wopke Hoekstra, no fim de semana.
27 de Fevereiro de 2019 às 15:37
KLM
Air France
Air France/KLM
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A tensão entre as companhias aéreas Air France e KLM subiu esta quarta-feira, após o presidente francês, Emmanuel Macron, ter pedido a Haia para "clarificar a sua intenção", na sequência da entrada inesperada do Estado holandês no capital do grupo.

Foi convocado um conselho de administração excecional do grupo para esta quarta-feira, de acordo com fonte próxima do dossiê, um dia depois de ter sido anunciado pelo Governo holandês uma participação de 12,68% no capital da Air France-KLM. Haia disse que queria ter uma parte idêntica à que o Estado francês detém no grupo (14,3%).

Macron, assegurando que a França não foi informada da decisão holandesa, apelou a Haia para "clarificar a sua intenção", alegando que "o mais importante é que o interesse da empresa seja preservado".

O ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, vai receber o seu homólogo holandês, Wopke Hoekstra, no fim de semana, indicou um porta-voz do Governo francês.

Segundo o jornal De Volskrant, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, avisou pessoalmente o presidente Emmanuel Macron, enquanto o ministro das Finanças falou com Le Maire, mas quando a operação estava concluída.

O Ministério da Economia francês considerou a operação "hostil" e disse que a abordagem lembrava "as técnicas de 'trader' e não as de um Estado acionista".

"A posição da KLM tem-se deteriorado nos últimos meses", lamentou o ministro holandês Wopke Hoekstra ao anunciar na terça-feira à noite esta inédita entrada no capital do grupo. "Agora temos o poder de voto na mesa", acrescentou.

Para o jornal De Volkskrant, o Governo sentiu-se obrigado a investir na Air France-KLM, considerando a sua influência insuficiente para proteger os interesses nacionais, ou seja, manter a competitividade do aeroporto de Amesterdão-Schiphol.

Haia receia que, a prazo, uma grande parte dos voos da KLM seja transferida para Paris, o que faria com que o aeroporto perdesse a sua função de 'hub', segundo a ministra das Infraestruturas holandesa, Cora van Nieuwenhuizen.

Segundo a ministra, isso teria como efeito perdas de empregos e um impacto negativo nos investimentos estrangeiros.

O capital da Air France-KLM reparte-se agora com o Estado francês a ter uma participação de 14,3%, o Estado holandês com 12,68%, a Delta Airlines com 8,8%, a China Airlines com 8,8%, os trabalhadores com 3,9% e o restante nas mãos de acionistas não identificados.
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