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Correio da Manhã

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Erro de soldado iraniano abate avião e mata 176 pessoas a bordo

General do Irão admite que Boeing 737 foi abatido por engano, por militar que o confundiu com “míssil de cruzeiro”.
Daniela Vilar Santos e Marta Quaresma Ferreira(martaferreira@cmjornal.pt) 12 de Janeiro de 2020 às 01:30
Boeing 737 da companhia aérea Ukranian Airlines seguia de Teerão para Kiev e foi abatido pouco tempo depois de ter descolado
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
Boeing 737 da companhia aérea Ukranian Airlines seguia de Teerão para Kiev e foi abatido pouco tempo depois de ter descolado
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
Boeing 737 da companhia aérea Ukranian Airlines seguia de Teerão para Kiev e foi abatido pouco tempo depois de ter descolado
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
Boeing 737 caiu e não deixou sobreviventes
O Irão reconheceu este sábado que abateu o avião da companhia ucraniana que, na quarta-feira, se despenhou e provocou a morte dos 176 passageiros que iam a bordo, pouco tempo depois de ter descolado do Aeroporto de Teerão.

"Assumo a responsabilidade total por esta catástrofe", disse o general Amirali Hajizadeh, comandante da brigada aeroespacial dos Guardas da Revolução iraniano.

"Preferia ter morrido do que assistir a tal acidente", acrescentou, em declarações à televisão do Irão.

Hajizadeh adiantou, ainda, que o Boeing 737 foi abatido por um míssil, devido a um "engano" de um soldado.

"Confundiu o avião com um míssil de cruzeiro. Abriu fogo sem poder obter a confirmação de uma ordem de tiro devido a uma interferência nas telecomunicações. Teve dez segundos para decidir", observou.

A forças armadas iranianas explicaram que a aeronave "adotou a postura de voo e a altitude de um alvo inimigo" ao aproximar-se de uma base do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

O presidente do Irão soube da causa real do acidente na sexta-feira e ordenou a sua divulgação. Hassan Rohani "lamentou profundamente" o erro e sublinhou tratar-se "de uma grande tragédia e de um erro imperdoável".

Já o líder supremo do Irão, Ali Khamenei, pediu uma investigação às "prováveis falhas" que levaram ao abate acidental.

Khamenei ordenou que seja feito o que for necessário para "evitar a repetição de um acidente semelhante".

Boeing 737 tinha instruções para interromper rota
As comunicações finais entre o avião ucraniano e a torre de controlo no aeroporto de Teerão determinavam que a aeronave deveria retornar ao aeroporto. Segundo a companhia aérea ucraniana, "existiu diálogo até ao momento da catástrofe".

Pormenores
Total cooperação
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse este sábado que a União Europeia (UE) "reconhece" a assunção de responsabilidades do Irão no derrube do avião civil ucraniano na passada quarta-feira, pedindo a Teerão uma "total cooperação".

Casal morre em desastre
Oriundos do Canadá, Arash Pourzarabi e Pouneh Gourji, de 26 e 25 anos, tinham ido ao Irão para se casarem. Perderam a vida juntamente com outros quatro convidados.

Crianças entre as vítimas
Quinze crianças, incluindo um bebé nascido em 2018, estão entre as vítimas da queda do avião.

À espera de visto
Membros do governo canadiano encontram-se em Ankara, na Turquia, à espera da emissão de dez vistos para acederem ao local do acidente no Irão.

Boris Johnson reage
À semelhança do presidente ucraniano, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, destacou o importante passo dado pelo Irão ao admitir que foi o responsável por abater a aeronave.

Protestos em Teerão
Manifestantes pediram a demissão dos líderes do país, numa vigília que juntou familiares e amigos das vítimas.

Ucrânia exige indemnização
O Presidente da Ucrânia exigiu este sábado a punição dos responsáveis pelo abate do avião ucraniano, que provocou a morte dos 176 passageiros que estavam a bordo, e o pagamento de indemnizações por parte do Irão.

"A manhã trouxe a verdade. A Ucrânia insiste num pleno reconhecimento de culpa. Esperamos do Irão que leve os culpados à justiça, devolva os corpos, pague uma indemnização e publique um pedido de desculpas oficial", escreveu Volodymyr Zelensky numa publicação na rede social Twitter.

O líder ucraniano reforçou ainda que "a investigação" à queda do Boeing 737 "tem de ser completa, aberta e deve continuar sem atrasos ou obstáculos".

Durante o dia deste sábado, Zalensky falou ao telefone com o presidente iraniano Hassan Rohani e considerou que "reconhecer que o avião foi abatido é um passo dado na direção certa".

Canadá pede transparência
O primeiro-ministro do Canadá - o país perdeu 63 cidadãos no acidente - apelou este sábado a que haja "transparência" na realização do inquérito à queda do avião. "Esta é uma tragédia nacional e todos os canadianos estão de luto", afirmou Justin Trudeau.

Ataque à base dos EUA
A queda do avião ucraniano aconteceu na quarta-feira, no mesmo dia do ataque iraniano a duas bases dos EUA no Iraque em resposta à morte do general Soleimani.

O Pentágono confirmou o ataque: "O Irão lançou mais de uma dúzia de mísseis contra forças militares e de coligação dos EUA no Iraque".

Angela Merkel lamenta três vítimas
A chanceler alemã Angela Merkel descreveu a queda do avião como "um evento dramático" e acrescentou que as nações envolvidas deveriam trabalhar em conjunto para encontrar soluções.

Merkel afirmou que é importante saber quem foi o responsável pelo acidente que matou 176 pessoas, três delas de nacionalidade alemã.
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