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Espião com sentimentos

A escolha de Leon Panetta como novo director da CIA significa apenas uma coisa: Barack Hussein Obama está disposto a capitular perante os terroristas." Esta foi a forma como um site republicano deu voz aos receios dos sectores mais conservadores e radicais da sociedade norte-americana.
17 de Janeiro de 2009 às 00:30
Espião com sentimentos
Espião com sentimentos

Para esses, alguém sem experiência na espionagem não é indicado para caçar bin Laden e enfrentar a ameaça terrorista.

Há que admitir, em abono dos críticos mais ferozes, que a escolha causou surpresa mesmo entre os democratas. E por boas razões, pois trata-se de um outsider, em cujas credenciais a experiência na espionagem tem pouco peso.

Antes de ser nomeado chefe de gabinete do presidente Bill Clinton, em 1994, pouco ou nada sabia desse mundo de segredos e meias-verdades, com o qual teve contacto directo apenas entre 1964 e 66, ao serviço do Exército norte-americano. Nessa altura recebeu formação na Escola dos Serviços Secretos Militares e tornou-se chefe de operações da secção de espionagem em Fort Ord, Monterey, Califórnia.

Os críticos consideram Panetta um burocrata, algo justificado pelo facto de ter integradoo comité orçamental da Câmara de Representantes e ter chefiado o gabinete orçamental da administração Clinton.

Além disso, nos 16 anos de Serviço no Congresso (1977-1993), as preocupações de Panetta centraram-se em questões ambientais e de defesa dos direitos cívicos. Para os ultraconservadores, isso revela que a CIA da presidência Obama se ocupará mais em "não ferir os sentimentos dos terroristas" do que em capturá-los (ver http://www.rlcil.org/).

Se deixarmos de lado o exagero, é certo que a escolha de Obama pode ser lida como um desejo de se demarcar de Bush em duas questões sensíveis: a guerra no Iraque e a tortura de suspeitos de terrorismo. Nesse terreno, Panetta é capital seguro. Em 2006 integrou o Iraq Study Group, que recomendou a retirada rápida do Iraque, e no início de 2008 disse ser impossível conciliar a tortura e a defesa da dignidade das pessoas. Mas Panetta disse também, sobre Obama, em Agosto: "É um grande orador, mas é tempo de pôr alguma carne naqueles ossos." Será ele a substância que diz faltar a Obama? n

A FIGURA

LEON EDWARD PANETTA

Nasceu em Monterey, Califórnia (1938), numa família de imigrantes italianos. Educado em escolas católicas formou-se em Ciência Política e Direito. Na infância trabalhou no restaurante do pai, junto a Fort Ord. Entrou na política como republicano mas tornou-se democrata (1971). Casou em 1962 com Sylvia Marie Varni e tem três filhos.

DESAFIOU NIXON E REAGAN

Leon Panetta, então um republicano convicto, entrou em 1969 na administração do presidente Richard Nixon, mas demitiu-se em 1970 depois de, contra vontade do presidente, defender leis anti-discriminação. Nos anos 80, já no Partido Democrata, combateu o apoio do presidente Ronald Reagan aos rebeldes de Nicarágua.

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