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Estado Islâmico degola refém britânico

Se vídeo for autêntico, é o 4.º refém ocidental morto pelo EI.
T.L.P. 3 de Outubro de 2014 às 22:20
Britânico Alan Henning, momentos antes de ser executado
Britânico Alan Henning, momentos antes de ser executado FOTO: D.R.

Militantes do Estado Islâmico (EI) publicaram esta sexta-feira um vídeo na Internet que mostra o execução, por decapitação, do britânico Alan Henning, poucos dias após o aviso de que o trabalhador humanitário seria o próximo a morrer, revela a imprensa britânica.

O vídeo em causa, intitulado "Outra mensagem para a América e seus aliados", é semelhante aos outros três divulgados anteriormente pelo EI. O refém, vestido com uma túnica cor de laranja, está ajoelhado no meio do deserto ao lado do seu executor, que está de negro e tem a cara tapada. Antes de o jihadista cortar o pescoço do britânico, Henning diz que a sua morte é causada pela "decisão do parlamento [britânico] em atacar o Estado Islâmico". "Eu, como britânico, vou agora pagar o preço dessa decisão", refere o refém, momentos antes de ser morto.

Novo refém ameaçado de morte

Tal como nos vídeos anteriores, o jihadista fala em inglês, com sotaque britânico, acusando o Ocidente por mais uma morte. No final, o executor interpela o presidente dos EUA, Barack Obama, enquanto mostra Peter Edward Kassig, mais um refém norte-americano: "Obama, iniciaste os bombardeamentos no nosso território, que matam a nossa população, pelo que é justo que também matemos a tua."

Os serviços secretos de ambos os lados do Atlântico estão a estudar as imagens, na tentativa de confirmar a sua autenticidade. Se o vídeo for considerado autêntico, Henning é o quarto refém ocidental a ser morto pelos terroristas islâmicos, após terem sido divulgados os vídeos das decapitações dos jornalistas norte-americanos James Foley (19 de agosto) e Steven Sotloff (2 de setembro) e do trabalhador humanitário escocês David Haines (13 de setembro).

Alan Henning tinha 47 anos

Alan Henning, de 47 anos, apelidado de 'Gadget', integrava um comboio de ajuda humanitária Aid4Syria, para o qual se tinha voluntariado como condutor, quando foi raptado a 26 de dezembro, pouco depois de ter cruzado a fronteira entre a Turquia e a Síria. O antigo taxista da zona de Manchester, esteve em cativeiro na Síria durante nove meses.

No início desta semana, a mulher do britânico, Barbara Henning, tinha pedido aos islamitas que o libertassem. Também os principais líderes muçulmanos do Reino Unido pediram a liberdade de Alan Henning.

A mais recente decapitação acontece após o Reino Unido ter lançado ataques aéreos contra o EI - na Síria e no Iraque -, juntando-se aos Estados Unidos e aos seus aliados árabes: Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Qatar.


Reações ao vídeo da execução
A Casa Branca classificou o vídeo da decapitação como "uma nova prova da brutalidade do Estado Islâmico". Este "é um novo exemplo claro da brutalidade do grupo e a razão pela qual o presidente implementou uma estratégia para enfraquecer e destruir o EI", declarou Lisa Monaco, conselheira de Barack Obama para as questões do terrorismo, acrescentado que estavam a decorrer verificações para confirmar a autenticidade do vídeo.

Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que "o brutal assassínio de Alan Henning" pelo grupo extremista "mostra como estes terroristas são bárbaros e repulsivos". "Faremos tudo o que pudermos para capturar estes assassinos e trazê-los à justiça", asssegurou.

Cameron disse que o facto de Henning ter sido raptado e morto enquanto tentava ajudar outros "demonstra que não há limites para a depravação destes terroristas" do Estado Islâmico. Alan Henning tinha-se voluntariado para ajudar as vítimas da guerra civil na Síria.

David Cameron disse ainda que os seus "pensamentos e orações" estão com a sua mulher, Barbara, filhos e amigos.

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