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Correio da Manhã

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“Estes é que eram pacifistas”

A marinha israelita abordou ontem e desviou sem incidentes o navio irlandês ‘Rachel Corrie’, que transportava apoio humanitário para Gaza. Para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a diferença entre esta acção e a que custou a vida a nove activistas no ‘Mavi Marmara’ é que no barco turco "seguiam extremistas islâmicos apoiantes do terrorismo".
6 de Junho de 2010 às 00:30
O navio humanitário irlandês foi abordado e desviado para o porto israelita de Ashdod, onde será feita uma inspecção e selecção da carga
O navio humanitário irlandês foi abordado e desviado para o porto israelita de Ashdod, onde será feita uma inspecção e selecção da carga

Para concluir frisou: "Viu-se assim a diferença entre um navio de verdadeiros pacifistas e um de ódio com extremistas turcos a bordo."

Em resposta às pressões internacionais para o levantamento do bloqueio a Gaza, o primeiro-ministro reiterou que este se destina "a impedir o contrabando de armas para o Hamas", e assegurou: "Israel manterá o seu direito à autodefesa".

A abordagem ao ‘Corrie’ – no qual seguiam uma dúzia de activistas, entre os quais a Nobel da Paz irlandesa Máiread Corrigan – aconteceu ao início da manhã, a cerca de trinta quilómetros da costa, tendo o navio sido escoltado de seguida até ao porto de Ashdod.

A porta-voz do Exército israelita, Avital Leibovich, confirmou a acção das tropas e assegurou que não houve resistência ou vítimas. "O barco foi abordado com a inteira concordância de passageiros e tripulação", afirmou, explicando que foram usadas lanchas rápidas sem apoio de helicópteros, ao contrário do que aconteceu no trágico ataque ao navio turco.

Leibovich disse ainda que as 1200 toneladas de carga serão inspeccionadas e transportadas por terra até Gaza.

A nova abordagem e desvio de um navio humanitário foi classificada como "um sequestro" pelo ‘Free Gaza Movement’, organizador da flotilha.

O MOVIMENTO QUE DESAFIA O CERCO ISRAELITA

O ‘Free Gaza Movement’, responsável pela flotilha de seis navios atacada por comandos israelitas na segunda-feira, tem sede em Chipre e foi criado para tentar furar o bloqueio a Gaza, algo que procura conseguir desde 2008. Conta com o apoio de várias organizações e de figuras notáveis, entre elas dois prémios Nobel da Paz: o arcebispo Desmond Tutu e a activista Máiread Corrigan. Israel afirma, no entanto, que integra hoje organizações islâmicas perigosas, caso da turca IHH, criada para ajudar os muçulmanos bósnios durante o conflito nos Balcãs, nos anos 90. A ‘Mossad’, espionagem de Israel, assegura que, a par de acções legítimas de apoio humanitário, o IHH é apoiante declarado do Hamas. O ‘Mavi Marmara’, palco do massacre de segunda-feira, era comandado pelo IHH e foi o único navio no qual se registaram actos violentos.

PORMENORES

TRINTA BALAS NO CORPO

As autópsias aos nove activistas mortos por Israel revelaram que tinham trinta balas no corpo e que cinco deles foram abatidos com disparos à queima-roupa na cabeça.

BOICOTE NA SUÉCIA

Estivadores suecos vão boicotar uma semana os navios mercantes israelitas, em protesto contra o ataque ao ‘Mavi Marmara’.

PRESSÃO DA ONU E EUA

Os EUA consideraram o bloqueio a Gaza "insustentável" e a ONU afirmou que "as leis internacionais proíbem castigos colectivos a populações civis".

APOIO EM ASHDOD

Dezenas de israelitas receberam com bandeiras o navio apreendido e acusaram a imprensa internacional de "manipulação".

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