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"Esteve prestes a perder um olho": Detidas cinco mulheres por agressão transfóbica em Espanha

Bianca Fernández foi insultada e impedida de entrar na casa de banho de um bar. Quando saiu do estabelecimento espancaram-na violentamente.

27 de março de 2026 às 15:54

A guarda civil espanhola deteve esta sexta-feira cinco mulheres, com idades entre os 18 e os 24 anos, por alegada participação na agressão transfóbica ocorrida no passado sábado em La Bañeza, na província de León, em Espanha. As suspeitas são acusadas dos crimes de ofensas à integridade física, tendo já sido presentes ao Tribunal de Instância de La Bañeza.

A agressão teve lugar na noite de 21 de Dezembro, num bar daquela localidade espanhola. A vítima, Bianca Lizbeth Fernández, relatou ter sido alvo de insultos transfóbicos antes de ser violentamente espancada. Na sequência das agressões, sofreu vários hematomas no rosto e esteve perto de perder um olho.

Bianca Lizbeth Fernández é atualmente detentora dos títulos de Miss Benavente, localidade onde nasceu, e de Miss Trans Zamora. Em comunicado, a Plataforma Trans denunciou que se tratou de "um ataque de extrema violência, no qual quase perdeu a vida e esteve prestes a perder um olho", de acordo com o jornal El País.

Segundo o relato da vítima, tudo começou quando tentou entrar na casa de banho do bar onde se encontrava. Nesse momento, um grupo de mulheres impediu-a de entrar, alegando que não podia utilizar o mesmo espaço por ser "um homem".

Perante a hostilidade, Bianca refugiou-se noutra casa de banho. Mais tarde, já no exterior do estabelecimento, várias pessoas juntaram-se para agredir violentamente a mulher trans.

A presidente da Plataforma Trans espanhola, Mar Cambrollé, comparou esta agressão ao homicídio de Samuel Luiz, jovem morto em 2021 na sequência de uma brutal agressão à saída de um bar, ao som de insultos homofóbicos. “Esta brutal agressão faz lembrar o assassínio de Samuel Luiz”, afirmou Cambrollé. Em Dezembro passado, o Supremo Tribunal espanhol confirmou as penas de prisão entre 20 e 24 anos aplicadas aos três autores desse crime, todos com menos de 25 anos à data dos factos.

A Plataforma Trans considera que este tipo de ataques não pode ser encarado como episódios pontuais. A organização atribui o aumento da violência ao crescimento dos discursos de ódio contra pessoas trans nas redes sociais, bem como a declarações de setores da direita e da extrema-direita que, segundo denuncia, contribuem para a estigmatização da comunidade LGTBIQ+.

A poucos dias do Dia da Visibilidade Trans, assinalado a 31 de Março, a organização convocou uma manifestação para sábado, dia 28, em Madrid, com início às 18h00 na praça de Pedro Zerolo. A mobilização surge num contexto que a associação classifica como “especialmente alarmante”, precisamente devido ao ataque sofrido por Bianca Lizbeth Fernández.

“A visibilidade não é apenas uma celebração, é uma ferramenta de sobrevivência. É necessário que a sociedade se posicione contra o ódio e apoie ativamente as pessoas trans”, sublinhou Mar Cambrollé.

Também a Federação Estatal LGTBI+ (Felgtbi+) tem alertado para um agravamento significativo das agressões físicas e verbais contra pessoas da comunidade. De acordo com dados divulgados pela organização, em 2025 os casos mais do que duplicaram face ao ano anterior.

A comunidade autónoma de Castilla y León é actualmente a única região de Espanha sem legislação específica de proteção dos direitos LGTBI+.

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