Movimento admite avançar para manifestações caso o Governo recuse.
O Movimento de Estudantes Angolanos (MEA) propôs esta quarta-feira ao Estado a redução do preço dos transportes públicos para 70 kwanzas (0,07 euros) em vez de 150 kwanzas (0,16 euros), admitindo avançar para manifestações caso o Governo recuse.
Em causa está a subida do preço dos transportes públicos, autocarros para 150 kwanzas e táxis informais privados para 200 kwanzas (0,22 euros), na semana passada.
O movimento realizou esta quarta-feira uma conferência de imprensa, que contou com a presença de alguns estudantes, munidos de cartazes com dizeres como "MEA contra subida dos transportes públicos -- 150 é muito" e "Minha Carência não Pode Condicionar Meus Estudos, 150 Kzs é muito".
No local encontrava-se igualmente um número considerável de polícias.
O presidente do MEA, Francisco Teixeira, afirmou que o movimento vai propor ao Governo que a isenção para alguns estudantes entre os seis e os 15 anos seja alargada a todos, ou seja, até ao ensino superior.
"Não estamos felizes com esta atitude do Estado, de mais uma vez violar o direito dos estudantes. Estamos unidos esta quarta-feira a favor da justiça social, da defesa dos nossos direitos e as nossas liberdades, que todos os dias são violados por um Governo mau, insensível e mostrando-se claramente como inimigo da educação", disse Francisco Teixeira.
O líder estudantil realçou que "a educação constitui hoje não só um direito, mas uma necessidade humana", direito constitucional estabelecido no artigo 23, com "o princípio da igualdade".
"Ninguém pode ser prejudicado ou privilegiado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da sua condição económica. 150 kwanzas para os transportes públicos é muito, a nossa proposta é que desça para 70 kwanzas", declarou.
"Também estamos a propor ao Governo para que crie condições para todos os estudantes da primeira [classe] até ao ensino superior terem direito a passe social de estudante", acrescentou.
Francisco Teixeira manifestou-se igualmente contra a cobrança de 1.000 kwanzas (1,1 euros) por parte da Empresa Nacional de Bilhética Integrada (ENBI) para que estudantes dos seis aos 15 anos, com frequência até à 9.ª classe, beneficiem do passe social, que dá direito até 60 viagens gratuitas por mês.
"O passe social de estudante é gratuito, a bilhética não pode cobrar 1.000 kwanzas por cada passe, não concordamos. Queremos mostrar o cartão de escola e darem-nos o passe social e usar os transportes públicos", declarou.
A ENBI exige para a aquisição do passe social, juntamente com os documentos de identificação, o valor de mil kwanzas.
Segundo Francisco Teixeira, devido à subida dos preços, há estudantes a "saírem a pé daqui [zona do 1.º de Maio) até aos Congolenses (entre seis e sete quilómetros), daqui até ao Palanca (aproximadamente oito quilómetros)".
"Esta medida vai certamente aumentar as dificuldades dos estudantes no acesso às aulas. Como ficarão os estudantes que vivem nas áreas muito longe das nossas escolas, como ficam os estudantes que têm dificuldade de pagar 150 ou 200 kwanzas dos azuis e brancos [táxis informais]", exprimiu.
Por sua vez, em declarações à imprensa, o vice-presidente do MEA, Joaquim Lutandi, disse que o ato desta quarta-feira foi um lançamento de passos subsequentes, que incluem a apresentação das propostas do MEA ao Governo Provincial de Luanda e ao executivo, com um prazo de sete dias para respostas, e sensibilização e mobilização dos estudantes para saírem às ruas.
"Não vamos nos contentar com uma medida injusta, por isso, se tivermos que mobilizar os estudantes para as ruas, vamos sim e faremos manifestações incessantes até que o Governo recue desta medida injusta", afirmou.
Joaquim Lutandi disse que os estudantes vão exigir também um tratamento digno no que se refere aos transportes, em particular, nos autocarros.
"Vamos também exigir dignidade, que os estudantes sejam transportados como gente e não como se fossem animais", salientou.
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