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Correio da Manhã

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ETA faz explodir bombas em Cantábria e Navarra

No dia em que o Batasuna convocou greve geral pela morte de dois presos, a ETA fez explodir duas bombas na Cantábria e Navarra. As explosões não fizeram vítimas nem causaram danos materiais nem apreciáveis, mas constituem mais uma prova de que o grupo terrorista basco intensificou as suas acções nos últimos meses, apesar de insistir num diálogo.
10 de Março de 2006 às 00:00
A Polícia espanhola está de novo em alerta com a ETA a fazer explodir várias bombas nos últimos dois dias
A Polícia espanhola está de novo em alerta com a ETA a fazer explodir várias bombas nos últimos dois dias FOTO: Pablo Sanchez, Reuters
As explosões ocorreram durante a manhã de ontem, pouco depois de uma mulher, que se identificou como membro da ETA, ter telefonado para o organismo de assistência nas estradas a avisar que tinham sido colocadas quatro bombas. Uma delas rebentou na A8, perto da localidade de Ontón (Cantábria), e outra na N111, em Viana (Navarra).
As autoridades encerraram vários troços de estrada e não encontraram mais engenhos explosivos. À tarde houve um novo aviso de bomba nos correios de Lasarte, sem consequências.
Estes ataques ocorreram no dia em que o Batasuna convocou a greve geral para protestar contra as mortes dos presos etarras Igor Angulo, que se suicidou na sua cela, e Roberto Sainz, vítima de um enfarte.
A ETA responsabiliza o governo pelo sucedido, afirmando que as mortes resultaram da política de ‘isolamento e dispersão’ relativamente aos prisioneiros do grupo. O Batasuna preparava-se para organizar homenagens públicas aos dois presos, mas estas foram proibidas pelo governo. O partido ilegalizado basco optou então por convocar uma greve geral, que de acordo com o sindicato LAB teve grande adesão e segundo o governo não teve qualquer impacto.
Apesar da proibição, houve uma manifestação em San Sebastián, em que participaram vários dirigentes da ETA, nomeadamente Arnaldo Otegi, outra em Bilbau e uma concentração em Portugalete. Em Pamplona, a Polícia dispersou uma outra manifestação.
ESTRATÉGIAS DO GRUPO
OBJECTIVOS
A ETA tem na mira sobretudo os empresários devido ao imposto revolucionário bem como organismos e infra-estruturas do Estado. As estradas são atacadas quando se montam operações especiais devido a férias.
MATERIAL
A organização tem usado carros-armadilhados em vários dos seus ataques, mas na maior parte das vezes utiliza engenhos explosivos. Por vezes recorre aos pacotes-bomba e uma vez (Saragoça) usou granadas.
AVISO
Nos últimos tempos, a ETA nem sempre comunica a colocação de bombas. Uma mudança na estratégia, já que a organização costumava avisar o diário ‘Gara’ ou a associação DYA (de assistência nas estradas).
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