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Correio da Manhã

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ETA mancha aniversário da Constituição

A ETA fez ontem explodir sete bombas de fraca potência em sete cidades de Norte a Sul de Espanha, numa clara demonstração de força e vitalidade num dia em que o país celebrava o Dia da Constituição, símbolo da unidade nacional. Pelo menos dez pessoas, incluindo uma criança, sofreram ferimentos ligeiros.
7 de Dezembro de 2004 às 00:00
O primeiro-ministro José Luís Rodriguez Zapatero já assegurou que “o único destino da ETA é o abandono da luta armada”.
As autoridades já esperavam qualquer coisa. Os ataques de sexta-feira, nos arredores de Madrid, e a descoberta, no sábado, de uma bomba programada para explodir ontem em Almería levaram a Polícia a suspeitar que a ETA preparava algum golpe de grande envergadura, uma demonstração de força para provar que o grupo terrorista ainda mantém a sua capacidade operacional apesar da detenção de mais de uma centena de membros ao longo do último ano. A escolha da data também não foi inocente: ontem foi feriado em Espanha, celebrava-se mais um aniversário da Constituição de 1978, que consagra o País Basco como parte do território espanhol.
Dois telefonemas para o jornal basco ‘Gara’, ao final da manhã, alertaram para a colocação de bombas em sete cidades de Norte a Sul do país: León, Santillana del Mar, Valladolid, Ávila, Ciudad Real, Alicante e Málaga. Os engenhos estavam programados para explodir às 13h30 da tarde (menos uma hora em Lisboa), o que dava pouco tempo às autoridades para evacuar os locais mencionados. Numa corrida contra o tempo, centenas de pessoas foram evacuadas, mas nalguns locais as indicações da ETA não foram suficientemente precisas, ou estavam erradas. Quando os engenhos explodiram, de forma praticamente simultânea, pelo menos dez pessoas ficaram ligeiramente feridas, incluindo uma criança de nove anos.
Segundo a Polícia, os engenhos eram de fraca potência, e não provocaram danos avultados. Num dos alvos, um café em Valladolid, os empregados só se aperceberam da explosão quando viram o chão alagado – a deflagração tinha rebentado o cano da água.
A maior parte das bombas explodiram no interior de cafés ou em praças públicas. Uma explodiu num parque junto ao Jardim Zoológico de Santillana del Mar, fazendo dez feridos. Seguindo as instruções da ETA, as autoridades tinham evacuado o Zoo, e não o parque circundante.
Algumas das bombas explodiram em locais simbólicos: a Praça de Espanha, em Ciudad Real, a Esplanada de Espanha, em Alicante, a Rua dos Reis Católicos, em Alicante, e o Passeio de Espanha, em Málaga.
O primeiro-ministro espanhol apressou-se a condenar os atentados, afirmando que “o Estado de Direito será mais forte que qualquer tentativa de mudar as regras através da violência”. “A ETA sabe que só tem um destino, que é o fim da violência e o abandono das armas”, afirmou Zapatero.
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