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Correio da Manhã

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ETA quer negociar

Na polémica campanha eleitoral no País Basco surgiu mais um elemento ‘perturbador’: a ETA decidiu entrar ‘em força’ no escrutínio ao anunciar que está disposta a avançar para “um processo de negociação” com o governo central para solucionar o conflito basco.
3 de Abril de 2005 às 00:00
A oferta de diálogo dos terroristas bascos foi recusada e condenada por quase todos os partidos
A oferta de diálogo dos terroristas bascos foi recusada e condenada por quase todos os partidos FOTO: Vincent West/Reuters
Em declarações publicadas na edição digital do diário ‘Berria’ (que substitui o encerrado ‘Egunkaria’), a ETA afirma estar disposta a dialogar com os governos espanhol e francês, “já amanhã”, com o objectivo de “iniciar um processo político e possibilitar um consenso para um eventual acordo político”. Os terroristas bascos afirmam ainda ser possível “superar o conflito armado e iniciar um processo democrático com o acordo” de todas as partes envolvidas, o qual deve ser baseado no Acordo de Base para a Resolução do Conflito, subscrito no passado dia 5 de Março por vários movimentos bascos.
As declarações da ETA encerram outro ponto interessante. De facto, a organização terrorista refere-se directamente, e é pela primeira vez que o faz, às afirmações do primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, numa entrevista que concedeu recentemente à Televisão autónoma basca, ETB. De forma algo surpreendente, a ETA não despreza as palavras do chefe do governo de Madrid e considera mesmo relevantes as suas declarações. “Têm a relevância que merecem mas entendemos serem mais importantes às acções do que as palavras”. Recorde-se que Zapatero afirmou na referida entrevista que se o Batasuna “calar as armas e decidir enveredar por uma via que coloque um ponto final na estratégia terrorista, o governo está disposto a escutá-lo”.
Referindo-se expressamente às eleições no País Basco do próximo dia 18, o chefe do governo espanhol adiantou ser “normal que seja o povo (basco) a decidir e ratificar um novo modelo de autonomia, muito embora usar as urnas como arma partidária possa conduzir a um beco sem saída”.
PARTIDOS REJEITAM DIÁLOGO
Sem surpresas, os principais partidos políticos espanhóis rejeitaram de imediato a oferta de diálogo da ETA. Do Partido Popular (PP, na oposição) chegou a resposta mais contundente, pela voz do seu presidente, Mariano Rajoy, que lançou um repto ao governo ao afirmar que esperava que o “executivo diga claramente que não se negoceia com terroristas”, que afirme claramente que não se “paga um preço político pela paz” e que sublinhe de forma inequívoca que “não se negoceia a vida, a liberdade e os direitos”.
O repto de Rajoy foi lançado num comício do seu partido no País Basco, no qual Rajoy voltou a acusar o líder regional, Juan José Ibarretxe, de querer conduzir o País Basco para “fora da Europa” e levá-lo à ruína económica.
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