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Correio da Manhã

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Etarras chamados a testemunhar

Três terroristas da ETA detidos em cadeias espanholas foram chamados a testemunhar no megajulgamento dos atentados de 11 de Março de 2004 em Madrid, que arranca no próximo dia 15 de Fevereiro. A sua presença foi solicitada pela defesa de um dos acusados, que não explicou os motivos por detrás da sua decisão.
24 de Janeiro de 2007 às 00:00
A inesperada convocatória dos três ‘etarras’ é a nota mais saliente do sumário ontem apresentado pela Segunda Secção da Audiência Nacional, que agendou a data para o início do aguardado julgamento dos 29 acusados de envolvimento no 11-M. A presença dos membros da ETA, como testemunhas, foi solicitada pelos advogados de defesa de Jamal Zougam, alegado autor material dos atentados e um dos principais acusados neste processo.
Dois dos ‘eterras’ chamados a testemunhar são Gorka Vidal e Izkur Badillo, detidos a 29 de Fevereiro de 2004 – onze dias antes dos atentados – quando tentavam viajar para Madrid com uma carrinha carregada de explosivos. Na altura, o então ministro do Interior, Ángel Acebes, afirmou que os cerca de 500 quilos de explosivos escondidos na carrinha iam ser usados para cometer um autêntico “massacre” em Madrid, o qual estaria “iminente”.
O terceiro ‘etarra’ chamado é depor é nem mais nem menos que Henri Parot, mais conhecido pelo nome de guerra ‘Unai’ e considerado como o terrorista mais sanguinário da ETA. São-lhe atribuídos pelo menos 26 assassinatos entre 1978 e 1990, pelos quais foi condenado a 4800 anos de cadeia. A sua presença no processo do 11-M é justificada pelo facto de o seu nome figurar em documentos apreendidos na cadeia a Abdelkarim Bensmail, detido no âmbito da chamada ‘Operação Nova’, que visava realizar um atentado contra a Audiência Nacional. Apesar de não estar directamente relacionado com este processo, Bensmail era considerado o ‘lugar-tenente’ de Allekema Lamari, um dos ‘cérebros’ do 11-M, que se suicidou no apartamento de Leganés dias após os atentados.
Apesar de ter permitido a audição destas testemunhas, a Segunda Secção da Audiência Nacional rejeitou a chamada de outros quatro ‘etarras’ e de qualquer alto responsável do anterior governo do Partido Popular, incluindo o ex-primeiro-ministro José María Aznar e o seu ministro do Interior, Ángel Acebes. No total, deverão ser ouvidas entre 570 a 680 testemunhas no âmbito deste megaprocesso.
O PROCESSO
OS ACUSADOS
Vão sentar-se no bancos dos réus 29 acusados, de um total inicial de 116 suspeitos. Os principais acusados são Jamal Zougal e Abdelmajid Bouchar, considerados os autores materiais dos atentados. Os restantes autores materiais suicidaram-se no apartamento de Leganés.
ESPANHÓIS
Entre os 29 acusados estão nove espanhóis, todos ligados à chamada ‘trama asturiana’, que permitiu aos terroristas a obtenção dos explosivos usados nos atentados. O ex-mineiro José Emílio Trashorras é o réu com mais crimes imputados, mais ainda que Zougam ou Bouchar.
200 VOLUMES
A acusação formal contra os 29 suspeitos, coordenada pelo juiz Juan del Olmo, está reunida em mais de 200 volumes com um total de 80 mil páginas. Foram ouvidas mais de 50 mil horas de escutas telefónicas.
LIGAÇÕES
Os atentados foram organizados por duas células terroristas ligadas ao Grupo Islâmico Combatente Marroquino, o qual por sua vez tem ligações com a al--Qaeda. O juiz del Olmo concluiu que os ataques foram “inspirados, mas não ordenados” pela rede de Osama bin Laden.
CUSTOS
Os terroristas gastaram apenas 52 mil euros para preparar os atentados. Os danos materiais foram estimados em mais de 22 milhões de euros.
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