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Correio da Manhã

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Etarras em fuga levavam explosivos

Os etarras que no sábado mataram a tiro um agente da Guardia Civil espanhola e que feriram outro com gravidade, em Capbreton, França, podiam pertencer a um comando da ETA preparado para atacar em Espanha, afirmou o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba. Esta é uma das hipóteses consideradas pelos investigadores, depois de ter sido descoberto material para construção de engenhos explosivos num dos carros usados pelos terroristas durante a fuga.
3 de Dezembro de 2007 às 00:00
Os príncipes das Astúrias consolaram a família do militar da Guardia Civil morto a tiro por etarras no Sul de França
Os príncipes das Astúrias consolaram a família do militar da Guardia Civil morto a tiro por etarras no Sul de França FOTO: Sergio Perez, Reuters
Temporizadores, detonadores e 300 gramas de cloratita, usada no fabrico de bombas, foram encontrados no Volkswagen Golf cinzento, com matrícula falsa, usado pelos três etarras para escapar de Capbreton após o tiroteio. O carro foi abandonado em Hauto-Mauco. Os investigadores consideram que a quantidade de cloratita revela que não se destinava a destruir a viatura para eliminar indícios. Os peritos acreditam ainda que o local onde os etarras se encontravam (não muito longe de Biarritz, Sul de França) e o material que transportavam revelam que os três podem pertencer a um comando a caminho de Espanha para realizar atentados.
DOR E SOLIDARIEDADE
Rubalcaba referiu que todas as pistas estão a ser avaliadas no âmbito de “um esforço partilhado” entre as polícias espanhola e francesa.
Entretanto, o polícia abatido, Raúl Centeno, de 24 anos, foi ontem sepultado numa cerimónia emotiva que contou com a presença da família real e das principais figuras políticas do país. O rei Juan Carlos e os príncipes das Astúrias, Felipe e Letizia, partilharam a dor com os familiares de Centeno, acompanhando o féretro a par do primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, do líder do Partido Popular, Mariano Rajoy, e ainda de líderes de outras forças da oposição. A unidade das forças políticas foi expressa num co-municado de apoio ao governo.
Aplausos estalaram à passagem da urna, mas um grupo de pessoas assobiou Zapatero e alguns dos ministros do governo. “Traidor” e “desavergonhado” foram insultos atirados ao primeiro-ministro, que em 2005 deu início a uma negociação de paz com a ETA que veio a revelar-se um fracasso.
Refira-se que o outro polícia ferido, Fernando Trapero, de 23 anos, está em coma, sem sinais de actividade cerebral.
SAIBA MAIS
2691 é o número de quartéis da Guardia Civil em Espanha, onde é a principal força militarizada de segurança pública.
1844 é o ano da pri-meira intervenção da recém-criada Guardia Civil, cujo código moral e preceitos de funcionamento foram fixados um ano depois e são hoje base de referência daquela força policial.
POLÍCIA NACIONAL
A Guardia Civil é, a par da Polícia Nacional, a força policial que garante a segurança dos cidadãos espanhóis. Está na dupla dependência dos ministérios do Interior e da Defesa, sendo considerada uma força de natureza militar, enquanto a Polícia Nacional (exclusivamente dependente do Interior) é caracterizada como força civil.
MILHARES REPUDIAM ATAQUE EM FRANÇA
Milhares de pessoas repudiaram, em manifestações realizadas em diversas cidades espanholas, o atentado da ETA em França.
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