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"Eu quero morrer"

O desespero do maquinista após ter tomado consciência de que o comboio tinha descarrilado. "Dei cabo de tudo", afirmou ainda via rádio
27 de Julho de 2013 às 01:00
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ESPANHA, ACIDENTE, TRAGÉDIA, MORTE, SANTIAGO DE COMPOSTELA, ÓBITO, DESCARRILAMENTO, COMBOIO FOTO: MONICA FERREIROS/REUTERS

O maquinista do comboio que descarrilou na quarta-feira em Santiago de Compostela, Espanha, causando 78 mortos e 130 feridos (31 em estado crítico), afirmou que queria morrer, assim que tomou consciência do acidente.

"Dei cabo de tudo. Quero morrer", pode ler-se na transcrição do diálogo mantido, via rádio, com a sala de controlo de tráfego ferroviário – e que já foi incluído nas investigações. Também serão analisadas as imagens de duas câmaras de vídeo que registaram o acidente. As caixas negras, que estão sob proteção policial, ainda não começaram a ser analisadas, uma vez que foi dada prioridade à identificação das 78 vítimas mortais. Para já, três estão por identificar. O maquinista, Francisco José Garzón Amo, garante que tentou travar após o alarme. No entanto, ontem, recusou-se a depor perante os inspetores da polícia de Santiago de Compostela.

Dois dias após a tragédia, os hospitais locais ainda são palco do desespero dos familiares das vítimas, e os sobreviventes que já tiveram alta relatam momentos de verdadeiro terror.

"Ficamos em pânico quando soubemos do acidente e só pensámos que a minha cunhada tinha morrido", contou ao CM Cintia Melero, que viajou de Alicante para Santiago para procurar a familiar. "Foi horrível porque lhe trocaram o nome e não a conseguíamos encontrar em nenhum hospital. Partiu a cabeça, uma perna e o nariz, mas felizmente está viva", adiantou, junto ao Hospital Universitário.

Carmen Donoso, chefe do serviço de Urgências, afirma que nunca viu nada assim. "Toda a gente corria de um lado para o outro, foi muito difícil ver os pacientes chegarem, em pânico, e encharcados em sangue. Todos os que saíram do coma contam-
-nos como foi o desastre. É algo que nunca vamos esquecer", diz a médica, em lágrimas, após o maior acidente ferroviário dos últimos 40 anos em Espanha.

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