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Correio da Manhã

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EUA ACELERAM TRANSFERÊNCIA NO IRAQUE

A Administração norte-americana acelerou esta semana os planos de transferência de poder no Iraque, incrementando em simultâneo as acções da Operação Martelo de Ferro, destinadas a quebrar a acção da guerrilha iraquiana.
14 de Novembro de 2003 às 15:54
Esta semana, o administrador norte-americano no Iraque, Paul Bremer, foi chamado de urgência a Washington, para consultas com o presidente George W. Bush. A urgência foi tal que Bremer teve de cancelar uma reunião, em Bagdad, com o primeiro-ministro polaco, que estava de visita à capital iraquiana. Este facto é um forte indicador da urgência, uma vez que os EUA estão a desenvolver uma intensa campanha para convencer outras nações a enviar tropas para o Iraque... e a Polónia é dos países que mais tem participado no esforço de guerra.
Com a mais recente sondagem da Televisão CBS a mostrar que 50% dos norte-americanos consideram que o esforço de reconstrução do Iraque está a decorrer mal (mais 7% que há um mês) – e 22% a responder “muito mal” (mais 10% que há um mês – George W. Bush necessita urgentemente de ‘fazer contas’ já a pensar nas próximas eleições presidenciais. Ontem, o presidente norte-americano declarou ser sua intenção “encorajar os iraquianos a assumir mais responsabilidades”. Há cerca de um mês, quando foi discutida a resolução da ONU que consagrou o actual modelo de administração provisória no Iraque, a Administração norte-americana resistiu a uma frente de países europeus que advogava, precisamente, uma fórmula que conferisse mais responsabilidades aos iraquianos.
Com 156 soldados mortos em acções de guerrilha desde o fim das grandes operações de combate, a 1 de Maio, George W. Bush não pode esperar muito mais. O Pentágono já anunciou que o número de tropas no Iraque baixará dos actuais 130 mil para cerca de 100 mil até Maio do próximo ano.
O secretário norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld, continua a garantir que não existe qualquer plano para acelerar a saída dos norte-americanos do Iraque, mas os indícios apontam na direcção contrária. Ainda hoje, Rumsfeld deu essa mesma garantia, na ilha de Guam, a caminho de Tóquio, onde deverá chegar ainda hoje. Recorde-se que o governo japonês adiou a partida de tropas nipónicas para o Iraque após o atentado desta semana em Nassíria. Numa provável manobra de charme diplomático, as autoridades japonesas anunciaram hoje o envio de uma missão de observação militar a Nassíria, para avaliar as condições de segurança no terreno.
Um outro indício de que os norte-americanos terão mudado de táctica no Iraque é a Operação Martelo de Ferro, que tem vindo a ser desenvolvida com intensos ataques contra alegados alvos da guerrilha iraquiana. Esta parece não se intimidar. Se os norte-americanos lançaram ataques aéreos esta tarde em Bagdad, a guerrilha disparou morteiros durante a noite na direcção das instalações de Bremer na capital iraquiana.
O general norte-americano responsável pelo Comando Central dos EUA, John Abizaid, declarou que a resistência iraquiana é constituída por cerca de 5 mil indivíduos e apresenta novos níveis de coordenação. O general prepara-se para mudar o seu quartel-general de Tampa, na Flórida, para o Qatar, a fim de estar mais próximo desta frente renovada de hostilidades.
BUSH: NÃO GOSTO DA GUERRA
Em entrevista ao jornal britânico "Daily Telegraph", George W. Bush afirmou que "não gosta da guerra. É a última escolha que um presidente deve tomar, não a primeira".
Bush, que se prepara para uma visitara o Reino Unido, afirmou que as acções militares não são a única forma de reprimir a proliferação de armas de destruição em massa. O presidente norte-americano estava a referir-se à Coreia do Norte e Irão.
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