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Correio da Manhã

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EUA acusam banco online de apoiar o crime

As autoridades norte-americanas acusam a Liberty Reserve de ser o "banco de referência do mundo criminal" que movimenta quantias milionárias todos os anos
29 de Maio de 2013 às 09:00

As autoridades federais dos Estados Unidos da América acusaram a empresa Liberty Reserve de ser o "banco de referência do mundo criminal", facilitando a lavagem de seis mil milhões de dólares (cerca de 4,7 mil milhões de euros) através de um sistema de moeda virtual.

"A única liberdade que a Liberty Reserve oferecia era a liberdade para cometer delitos, a moeda do seu reino era o anonimato e converteu-se num famoso núcleo para os que cometem fraudes, os 'hackers' e os traficantes", afirmou o procurador de Manhattan, Preet Bharara, na conferência de imprensa para divulgação dos resultados da investigação.

Segundo os documentos judiciais apresentados, a Liberty Reserve, com sede na Costa Rica, converteu-se no "banco de referência do mundo criminal", contando com cerca de um milhão de utilizadores em todo o mundo.

Os investigadores consideram que a plataforma financeira foi usada para branquear seis mil milhões de dólares (cerca de 4,7 mil milhões de euros) através de 55 milhões de transações ilegais feitas em todo o mundo, desde 2006.

Arthur Budovsky, fundador e responsável máximo pela Liberty Reserve, foi detido pela polícia espanhola no aeroporto de Madrid (Barajas) na semana passada, juntamente com o marroquino Azzeddine El Amine, descrito como o seu "número dois".

Foram ainda detidas outras três pessoas na Costa Rica e em Nova Iorque, numa operação internacional em que participaram, de forma coordenada, forças de segurança de 17 países. Dois dos acusados permanecem em lugar incerto.

A Liberty Reserve, ao contrário de outras entidades financeiras 'online', permitia a abertura de uma conta através da mera apresentação de uma conta de correio eletrónico e a criação de perfis virtuais, facilitando as operações encobertas através da sua moeda virtual, a Liberty Reserve.

Desta forma, as contas podiam ser abertas "facilmente usando identidades falsas ou anónimas", explicaram os investigadores, acrescentando que as mesmas não deixavam rasto.

A partir da sua página na Internet, a empresa recomendava uma série de casas de câmbio que não tinham licença e operavam a partir de países com escasso controlo sobre a lavagem de dinheiro, como a Nigéria, a Malásia ou o Vietname.

No âmbito das investigações já realizadas foram bloqueadas 45 contas bancárias em países como Singapura, Austrália, Chipre, Rússia ou Marrocos.

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