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Correio da Manhã

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EUA acusam Síria de golpe de Estado

O assassínio do ministro libanês Pierre Gemayel pode ser o “primeiro tiro” de um golpe de Estado contra o governo de Fouad Siniora, afirma o embaixador dos EUA na ONU, John Bolton. Em entrevista à BBC, Bolton acusou a Síria de estar por detrás do homicídio e considerou que isso põe em causa o envolvimento daquele país na resolução da crise no Iraque.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
O Líbano vive um clima de crescente instabilidade
O Líbano vive um clima de crescente instabilidade FOTO: Eric Gaillard, Reuters
O embaixador norte-americano considera que as investigações a homicídios políticos recentes no Líbano – como o do primeiro-ministro Rafiq Hariri – sugerem o envolvimento da Síria e que a morte de Pierre Gemayel pode ser parte de um plano mais vasto. “Há algumas semanas, a Casa Branca teve a iniciativa pouco habitual de afirmar que a Síria e o Irão, agindo através do Hezbollah, estavam à beira de levar a cabo um golpe de Estado contra o governo, democraticamente eleito, do Líbano, e devo dizer que o assassínio de Gemayel pode ser o primeiro tiro desse golpe”, afirmou Bolton, considerando que a Síria não é só “um apoiante do terrorismo mas um país a agir de forma terrorista”.
O atentado que vitimou o ministro – membro de uma família marcada pela morte violenta – trouxe uma vez mais ao de cima as divisões internas no país. Actualmente, a clivagem mais visível é a que divide os pró-sírios, muitos deles simpatizantes ou membros do Hezbollah, e os anti-sírios. No início do mês, seis ministros pró-sírios abandonaram o governo, deixando Siniora na corda bamba.
Entretanto, o governo libanês aprovou a criação de um tribunal especial internacional para julgar os assassinos de Hariri. Apesar do ‘sim’ do executivo, há dúvidas de que a decisão venha a ser aceite devido à situação actual de divisão interna.
DINASTIA GEMAYEL MARCADA A SANGUE
O FUNDADOR DA DIREITA (Pierre Gemayel, o avô)
Pierre Gemayel fundou em 1936 o Partido Falangista, de extrema-direita, apoiado pelos cristãos maronitas. Sobreviveu a várias tentativas de assassinato. Morreu em 1984, aos 78 anos.
PRESIDENTE POR 'UM DIA' (Bashir Gemayel, o tio)
Bashir foi assassinado em Setembro de 1982, menos de um mês depois de ser eleito presidente. Após a sua morte, milícias maronitas fizeram os massacres de Sabra e Shatila.
O SUCESSOR FALHADO (Amin Gemayel, o pai)
Foi presidente do Líbano entre 1982 e 1988, sucedendo ao irmão Bashir. A sua presidência foi uma missão impossível, pois a Síria ocupava parte do Norte do país e Israel o Sul.
INIMIGO DO PODER SÍRIO (Pierre Amin G., o ministro)
Era ministro da Indústria quando foi assassinado, no passado dia 21, aos 34 anos. Foi eleito deputado em 2000 como independente, e reeleito em 2005, ano em que foi nomeado ministro.
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