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EUA DESCONTENTES COM TRIBUNAL INDONÉSIO

O Departamento de Estado norte-americano, o equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, está “desapontado” com a forma como o Tribunal de Direitos Humanos de Jacarta, na Indonésia, está a realizar o processo contra 18 polícias, civis e militares acusados de terem cometido crimes de guerra em Timor-Leste por ocasião do referendo de autodeterminação, em 30 de Agosto de 1999.
20 de Agosto de 2002 às 09:00
Timbul Silaen foi abolvido a semana passada
Timbul Silaen foi abolvido a semana passada
Apesar de não comentar as sentenças proferidas até agora, nomeadamente a absolvição do antigo chefe da Polícia de Timor-Leste, Timbul Silaen, e de outros cinco oficiais de segurança, a semana passada, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA assinalou que os procuradores indonésios que investigaram estes casos não usaram todos os recursos e provas postos à sua disposição.

Reagindo a estes comentários, o procurador-geral indonésio, Barman Zahir, pediu à administração Bush para ser mais específica nas suas críticas, alegando que foram usadas todas as provas e recursos disponíveis nos casos julgados pelo Tribunal de Direitos Humanos de Jacarta. O magistrado apontou ainda o dedo às Nações Unidas, acusando a organização de não ter feito tudo o que podia na apresentação de testemunhas.

A decisão tomada pelos juízes do Tribunal de Jacarta de ilibarem Timbul Silaen, para quem a acusação pedia uma pena de prisão de dez anos e meio, mereceu duras críticas por parte dos grupos de defesa dos direitos humanos, que consideram o ex-chefe da Polícia em Timor-Leste um “criminoso de guerra”. O presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, também reagiu à decisão, acusando o Tribunal de Direitos Humanos de Jacarta de “falta de objectividade”.

A absolvição de Timbul Silaen e de outros cinco oficiais de segurança indonésios surgiu horas depois de o mesmo Tribunal ter condenado Abílio Osório Soares, ex-governador de Timor-Leste durante a ocupação indonésia, a uma pena de três anos de prisão por crimes contra a Humanidade cometidos no mesmo período. Também neste caso, a acusação pedia uma pena de dez anos e meio de prisão.
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