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Correio da Manhã

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EUA devem dialogar com o Irão e a Síria

O Grupo de Estudo sobre o Iraque (ISG) entregou ontem ao presidente George W. Bush o já parcialmente conhecido relatório sobre o Iraque. Liderado pelo ex-secretário de Estado James Baker e pelo ex-congressista Lee Hamilton, o painel de três democratas e três republicanos faz uma apreciação ‘dura’ da actual política da administração norte-americana, afirmando sem rodeios que a sua estratégia para o Iraque não é viável.
7 de Dezembro de 2006 às 00:00
Tropas norte-americanas no Iraque
Tropas norte-americanas no Iraque FOTO: Lazslo Balogh/Reuters
E avisa: se a situação continuar a deteriorar-se, caminha-se para o caos, o que teria consequências graves. O relatório preconiza igualmente uma mudança de estratégia em relação ao Irão e à Síria, propondo conversações com ambos os países e defende ainda uma nova iniciativa de paz para o conflito israelo-palestiniano.
Ao apresentar o relatório numa conferência de Imprensa, Lee Hamilton advertiu que a capacidade dos EUA para influenciar os acontecimentos no Iraque está a diminuir e os custos poderão ascender a mais de um trilião de dólares.
RETIRAR ATÉ 2008
Para tentar inverter a situação, o ISG admite que não há “fórmulas mágicas”, mas assegura que não estão esgotadas todas as opções. Nessa medida, propõe uma “ofensiva diplomática” e uma retirada “responsável” das tropas. Embora não estabeleça um calendário, o painel considera que até o primeiro trimestre de 2008 todas as tropas de combate deverão ter regressado a casa.
Enquanto isso, a missão dos militares deve mudar drasticamente, com estes a assumirem um papel menos interventivo no terreno e mais activo na formação e aconselhamento das forças iraquianas. O relatório recomenda mesmo que os EUA retirem o apoio ao governo iraquiano caso este não consiga progressos apreciáveis na segurança e reconciliação nacional.
O relatório avisa que se a situação continuar a deteriorar-se no Iraque, as consequências serão gravíssimas: o caos poderia levar ao colapso do governo iraquiano e a uma catástrofe humanitária; os países vizinhos poderiam intervir e os confrontos entre xiitas e sunitas disseminar-se; a al-Qaeda poderia expandir a sua base de operações; os EUA perderiam influência, alertam.
Uma outra das 79 recomendações que se faz no relatório de 142 páginas diz respeito ao Irão e à Síria, com quem o painel recomenda diálogo directo. Mais, sugere que os vizinhos do Iraque e os países chave dentro e fora da região deveriam formar um grupo de apoio para ajudar na reconciliação do Iraque.
WASHINGTON RESISTE
Os autores alertam que os EUA não conseguirão atingir os seus objectivos no Médio Oriente a menos que se envolvam num plano de paz global, em todas as frentes, e aconselham a administração Bush a apostar numa nova iniciativa diplomática para resolver o conflito israelo-palestiniano.
Os autores do relatório salientam a importância do consenso entre a Casa Branca e o Congresso e avisam que a política externa está condenada ao fracasso se não for sustentada no consenso.
Considerando o relatório “muito duro”, George W. Bush prometeu analisá-lo “muito seriamente” Horas depois, o seu porta-voz, Tony Snow, recordando que o relatório não fala em diálogo directo com o Irão e a Síria, deixou claro que Washington só negociará directamente com Teerão se o governo iraniano suspender o enriquecimento de urânio.
PERFIL
James Addison Baker III , de 76 anos, é um republicano respeitado. Foi secretário de Estado de Janeiro de 1989 até Agosto de 1992, durante a administração Bush (pai). Foi um estratega importante para as administrações Ford, Reagan e George W. Bush.
NOVA 'BAIXA' NA AL-QAEDA
Um ajudante de Abu Ayub Al Masri, líder da al-Qaeda no Iraque, morreu nos últimos dias numa operação militar das forças norte-americanas e iraquianas, anunciou ontem o conselheiro de Segurança Nacional iraquiano, Muafaq Al Rabei.
Numa conferência de Imprensa em Bagdad, aquele responsável afirmou que o morto foi identificado como Abu Taha, o segundo assessor do líder da al-Qaeda no país. Ontem, pelo menos 12 pessoas morreram e 48 ficaram feridas em dois ataques em Bagdad, afirmaram fontes da Polícia.
NOTAS
DEZ MORRERAM
Dez soldados norte-americanos morreram ontem no Iraque em quatro incidentes separados. Mais de 2900 tropas americanos morreram no Iraque desde a invasão, em Março de 2003.
MAHMOUD ABBAS
“A regularização do problema palestiniano abrirá caminho à regularização de todos os problemas do Médio Oriente”, afirmou o presidente palestiniano.
BARHAM SALIH
O vice-primeiro-ministro iraquiano, Barham Salih, considerou que as recomendações coincidem com o que o governo defende.
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