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Correio da Manhã

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EUA DEVEM PAGAR FACTURA IRAQUIANA

Dois terços dos cidadãos dos 15 países membros da União Europeia considera que a invasão norte-americana do Iraque foi “injustificada” e que cabe aos Estados Unidos da América pagar a factura da reconstrução naquele país, revela uma sondagem encomendada pela Comissão Europeia.
27 de Outubro de 2003 às 17:43
EUA DEVEM PAGAR FACTURA IRAQUIANA
EUA DEVEM PAGAR FACTURA IRAQUIANA FOTO: d.r.
A sondagem foi realizada nos dias que precederam a conferência internacional de doadores para o Iraque, realizada na semana passada em Madrid. Apesar de a maioria dos europeus considerar que a UE deve fornecer ajuda humanitária ao Iraque, outra maioria quer a que a factura da reconstrução seja paga por Washington e 54% opõem-se ao envio de soldados europeus para o terreno.
Em todos os 15 países da UE, excepto na Dinamarca, a maioria dos cidadãos (68%) considera a guerra ao Iraque injustificada, contra apenas 29% que a consideram justificada. As maiores maiorias anti-guerra foram registadas, por ordem, na Grécia (96%), Áustria (86%), França (81%) e até na Espanha (79%), país que apoiou o esforço de guerra.
Questionados sobre o financiamento à reconstrução no Iraque, 65% dos cidadãos da UE responderam que devem ser os EUA a pagar, 44% apontaram para as Nações Unidas, 29% indicaram o Conselho Governativo iraquiano e apenas 24% responderam a UE. Esta questão permitia respostas múltiplas. Quando questionados sobre se aceitavam que o seu país participasse no esforço financeiro da reconstrução, 54% responderam não e 45% sim. Neste particular, 64% dos cerca de 500 portugueses inquiridos responderam não.
No total, 54% dos cidadãos da UE opõem-se ao envio de soldados dos seus países para o Iraque, muito embora a leitura parcial dos resultados revele posições favoráveis na Dinamarca, Holanda, Irlanda, Itália, Suécia e Reino Unido. Os cidadãos que mais fortemente se opõem ao envio de soldados dos seus países para o Iraque são os alemães, os gregos, os austríacos e os franceses.
FICHA TÉCNICA
Esta sondagem, encomendada pela Comissão Europeia e divulgada pela Agência Reuters, foi realizada pelas organizações europeias Taylor Nelson Sofres e EOS Gallup Europe entre os dias 8 e 16 de Outubro. Foram questionadas 7.515 pessoas de 15 países. A margem de erro é de cerca de 1,2% para os resultados relativos a toda a UE e de cerca de 4,4% para os parciais nacionais.
BUSH INSISTE EM GARANTIAS BANCÁRIAS
O presidente norte-americano, George W. Bush, recebeu hoje na Casa Branca, em Washington, o administrador por si nomeado para governar o Iraque, Paul Bremer, aproveitando a ocasião para reafirmar o empenho dos EUA em criar uma sociedade iraquiana livre e democrática. O comentário foi feito no rescaldo de uma vaga de seis atentados suicidas registados hoje em Bagdad.
Falar do empenho norte-americano no Iraque, considerando que a missão é do interesse nacional dos EUA, significa falar de dinheiro. George W. Bush afirmou que a conferência internacional de doadores realizada na semana passada em Madrid foi um sucesso e insistiu em como o esforço financeiro de auxílio norte-americano á reconstrução no Iraque deve ser feito através de garantias bancárias, em vez de empréstimos.
A Conferência de Madrid produziu 13 mil milhões de dólares em assistência à reconstrução prometida por diversos países. Presume-se que o total da factura ascenda a cerca de 50 mil milhões de dólares. Os EUA prometeram disponibilizar 20 mil milhões. Fazendo as contas, é fácil concluir que os esforço internacional está aquém das necessidades.
Os 13 mil milhões prometidos pela comunidade internacional foram propostos sob a forma de empréstimos, ou outras formas de crédito. O Congresso norte-americano está a ponderar atribuir metade dos 20 mil milhões prometidos em forma de empréstimos e a outra metade em forma de garantias bancárias. Mas George W. Bush já ameaçou vetar essa decisão se o dinheiro não foi inteiramente disponibilizado em garantias bancárias. A diferença? Os empréstimos implicam a entrega de dinheiro a alguém que o aplica localmente. As garantias bancárias são obrigatoriamente atribuídas no financiamento da(s) obra(s) para que foram criadas, não deixado margem para outras aplicações (leia-se, desvios).
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