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EUA PODEM AVANÇAR SEM REINO UNIDO

Numa altura em que decorrem contactos diplomáticos entre os países com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas que são a favor e contra uma intervenção militar contra o Iraque, os EUA vão mostrando cada vez mais a sua impaciência para com os atrasos do processo.
12 de Março de 2003 às 08:07
EUA PODEM AVANÇAR SEM REINO UNIDO
EUA PODEM AVANÇAR SEM REINO UNIDO
Ontem, o secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, numa tentativa de pressionar o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, a avançar para a guerra apesar da falta de apoio da opinião pública, afirmou que os EUA estão prontos a lançar uma ofensiva militar contra o Iraque mesmo sem o Reino Unido.

“Se os britânicos quiserem participar são bem-vindos. Mas se não puderem participar, contornaremos a sua falta’, declarou Rumsfeld numa conferência de Imprensa por ocasião do primeiro teste da maior bomba convencional do Mundo realizado ontem pela Força Aérea norte-americana.

Assinalando que a margem de manobra de Tony Blair se encontra limitada por um Parlamento que tem questionado a legitimidade da guerra, o secretário da Defesa norte-americano considerou que o que acabar por ser decidido é “pouco claro” sobre o papel dos britânicos em caso de uma intervenção armada.

Rumsfeld afirmou que embora a ausência do Reino Unido na guerra pudesse complicar o planeamento militar da ofensiva, acabaria por ser superável, salientando que o Reino Unido poderia participar mais tarde, na fase de reconstrução do Iraque.

LONDRES REAFIRMA APOIO

As declarações do homem forte do Pentágono causaram desconforto em Londres. Hoje, o ministro da Defesa britânico, Geoff Hoon, reafirmou o apoio total do Reino Unido à política dos EUA em relação ao Iraque, acrescentando que a resolução 1.441 do Conselho de Segurança da ONU é suficiente para permitir um ataque ao Iraque.

Esta posição de Londres constitui uma contradição atendendo ao esforço diplomático despendido pelo Governo de Tony Blair nos últimos dias, para tentar obter o apoio para fazer aprovar uma segunda resolução no Conselho de Segurança.

Recorde-se que Londres tem vindo a tentar convencer Washington a introduzir algumas alterações na proposta de uma nova resolução, nomeadamente a realização de uma série de exames concretos para verificar se o desarmamento do Iraque é ou não efectivo.

Estas alterações, que visam tentar conseguir o apoio dos países ainda indecisos no Conselho de Segurança para fazer aprovar uma segunda resolução que abra caminho a uma intervenção militar no Iraque, implicam o adiamento do prazo do ultimato que os EUA querem dar a Bagdad, que termina dia 17 de Março.

IMPACIÊNCIA NORTE-AMERICANA

Entretanto, esta quarta-feira as autoridades norte-americanas mostraram-se mais flexíveis sobre a possibilidade de adiar por alguns dias o ultimato dado a Saddam, numa última tentativa para conseguirem o apoio do Conselho de Segurança a uma segunda resolução sobre o Iraque.

De acordo com fontes da Casa Branca, o presidente norte-americano, George W. Bush, poderá conceder mais 10 dias à diplomacia, para tentar obter o apoio do Conselho de Segurança, numa altura em que Tony Blair enfrenta fortes pressões dentro do seu próprio partido face às opções do seu Governo.

Todavia, Washington não está disposto a ampliar o prazo do ultimato por mais um mês e meio, como solicitaram os países ainda indecisos. Segundo afirmou Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca, “existe espaço para um pouco de diplomacia, mas não muito tempo”.

Com esta afirmação, o Governo norte-americano deu a entender que não está disposto a prolongar o ultimato dado a Saddam, para desarmar totalmente e sem condições além da última semana de Março, atendendo às dificuldades que isso poderia trazer para a ofensiva.

Com estes constantes adiamentos, o Pentágono, o Departamento de Defesa norte-americano, vê complicarem-se os prazos para uma intervenção militar no Iraque, atendendo, nomeadamente, às dificuldades climatéricas que os soldados podem vir a enfrentar, com temperaturas demasiado elevadas.

Simultaneamente sobressai a garantia dada por George W. Bush, ao afirmar que Washington poderá lançar uma ofensiva militar contra o Iraque mesmo sem o aval da ONU, por considerar que o regime de Saddam constitui uma “ameaça real” para o seu país, que, alega, tem o direito de se defender.
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