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Correio da Manhã

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EUA PODERÃO RETIRAR

O administrador civil americano no Iraque, Paul Bremer, evocou ontem a possibilidade de uma retirada das tropas dos EUA do Iraque já após 30 de Junho, data da transferência de poderes para um governo interino iraquiano.
15 de Maio de 2004 às 00:00
À saída Abu Ghraib os presos não esconderam a sua alegria
À saída Abu Ghraib os presos não esconderam a sua alegria FOTO: Ali Haider/EPA
"Se o governo provisório nos pedir para sairmos, essa pretensão será satisfeita", afirmou Bremer, salientando, que os EUA "não podem permanecer num país onde não são desejados". No entanto, o administrador americano, que falava em Bagdad perante vários governadores da província de Diyala, esclareceu que de momento nada faz prever que isso venha a acontecer. Não há planos, pois, para uma retirada.
Estas afirmações foram feitas no mesmo dia em que 315 detidos foram libertados da prisão de Abu Ghraib, naquela que é a primeira libertação maciça desde que rebentou o escândalo de maus tratos de iraquianos por soldados americanos. A libertação acontece um dia depois do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, visitar aquele presídio de Bagdad, que está no centro da polémica das torturas.
Entretanto, interrogados no Congresso, dois altos responsáveis do Pentágono, entre eles o secretário da Defesa adjunto, Paul Wolfowitz, admitiram que alguns dos métodos usados para interrogar presos iraquianos violaram a Convenção de Genebra.
CEMITÉRIO DE NAJAF ALVEJADO
As tropas americanas em Najaf apertaram ontem o cerco ao líder radical xiita Moqtada al-Sadr, enviando pela primeira vez tanques para o vasto cemitério da cidade, de onde alegadamente a guerrilha lançou ataques sucessivos.
Durante horas, o som de explosões e tiroteio fez-se ouvir em torno do cemitério, localizado junto do santuário dedicado ao imã Ali, fundador do xiismo. Aos disparos dos canhões americanos, respondiam os radicais com rajadas de metralhadora e disparos de "rockets". Segundo algumas fontes, os americanos alvejaram civis e impediram as ambulâncias de socorrer os feridos. Segundo outras versões, tanques americanos barraram as estradas entre Najaf e Kufa para cercar al-Sadr. Apesar disso, o líder radical pronunciou as orações de sexta-feira em Kufa e fez novo apelo ao ódio.
Entretanto, um porta-voz do ayatollah Ali al-Sistani, líder moderado dos xiitas, apelou à retirada dos americanos e dos radicais da cidade santa de Najaf. Sistani corre risco de vida, sublinhou, e os locais santos podem ser destruídos.
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