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EUA sabiam tudo mas não agiram

As autoridades dos EUA tinham sido alertadas para a iminência de um atentado levado a cabo por "um nigeriano", mas, devido a falhas graves de comunicação, não agiram a tempo de evitar a entrada de Abdulmutallab no avião da Northwest Airlines que esteve em risco de se despenhar no dia de Natal, referiu ontem a imprensa dos EUA.
31 de Dezembro de 2009 às 00:30
A segurança aeroportuária foi reforçada nos EUA
A segurança aeroportuária foi reforçada nos EUA FOTO: Mario Anzuoni/Reuters

O presidente Barack Obama admitiu terça-feira a existência de "uma cadeia de falhas inaceitáveis" das agências de segurança, mas ontem o ‘The New York Times’ e outros jornais referem que a CIA ignorou demasiadas coisas, por exemplo conversas na internet entre líderes da al-Qaeda que referiam um nigeriano pronto para levar a cabo um atentado.

Acresce que o radicalismo do nigeriano Abdulmutallab tinha sido denunciado à CIA pelo próprio pai, o banqueiro milionário Umaru Mutallab.

Para piorar o cenário, os alertas foram levados em conta e o suspeito foi referenciado como islamista radical. No entanto, o seu nome foi incluído numa lista de cerca de 500 mil suspeitos, o que levou as agências de segurança a não ligarem o nome aos outros indícios surgidos recentemente.

Para culminar a cadeia de erros, o centro de combate ao terrorismo não incluiu Abdulmutallab na lista negra, levando o Departamento de Estado a não anular o visto de entrada nos EUA que já lhe permitira visitar o país em 2004 e 2008 e que agora o colocou em posição ideal para matar 300 pessoas a bordo de um avião entre Amesterdão e Detroit.

HOLANDA VAI USAR SCANNERS

Na sequência das falhas que permitiram a um terrorista passar os controlos e entrar, em Amsterdão, num avião rumo aos EUA, a Holanda anunciou que começará a utilizar scanners corporais no aeroporto de Schipol "dentro de três semanas". Os visados pelo aparelho, que vê o corpo das pessoas como se estivessem sem roupas, serão os passageiros de voos para cidades norte-americanas. Uma vez que o suspeito era nigeriano, o seu país anunciou que comprará também aparelhos desses para usar nos aeroportos internacionais. Por fim, debate-se nos EUA o alargamento da cooperação militar e de espionagem com o Iémen, país que serve de base à al-Qaeda da Península Arábica, o ramo da rede terrorista que reivindicou o atentado frustrado.

PORMENORES

ENTRE DOIS EXTREMOS

"Quero falar do meu dilemaentre liberalismo e extremismo", escreveu Abdulmutallab na net: "Como se poderá conseguir o equilíbrio certo?"

FANTASIAS RADICAIS

Após meses de treino no Iémen, o terrorista escreveu: "Sonho com o momento em que a Jihad vence e os muçulmanos governamo mundo inteiro e restabelecemo maior de todos os impérios."

SOLITÁRIO ATORMENTADO

A radicalização parece ter sido a resposta a uma solidão insuportável. Aos 18 anos escreveu: "Não tenho um único amigo, ninguém com quem falar, ninguém que me dê conselhosou me apoie quando me sintosozinho e deprimido."

ADEPTO DO LIVERPOOL

Antes da aproximação ao radicalismo islâmico, Abdulmutallab entregava-se à paixão pelo futebol e pelo Liverpool, que comparava sempre em tons elogiosos perante rivais como o Arsenal.

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