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EUA deverão ser o país mais competitivo em 2020

Estudo diz que norte-americanos vão ultrapassar a China.
23 de Maio de 2016 às 20:20
Estudo foi realizado pela indústria de Consumer & Industrial Products da Deloitte e pelo Conselho norte-americano para a Competitividade
Estudo foi realizado pela indústria de Consumer & Industrial Products da Deloitte e pelo Conselho norte-americano para a Competitividade FOTO: Getty Images
Os Estados Unidos deverão tornar-se no país mais competitivo a nível de produção industrial nos próximos cinco anos, ultrapassando assim a China, segundo um 'ranking' da Deloitte que coloca Portugal em 35.º em 2016 e em 2020.

De acordo com o Índice Global de Competitividade do Setor Industrial 2016, realizado pela indústria de Consumer & Industrial Products da Deloitte e pelo Conselho norte-americano para a Competitividade, hoje divulgado, "Portugal mantém a sua posição no 'ranking' e a previsão é de segurar essa posição nos próximos cinco anos".

Estas previsões têm por base a análise das respostas de mais de 500 presidentes executivos e administradores de empresas ligados à área da produção industrial em todo o mundo e, à semelhança dos estudos conduzidos em 2010 e em 2013, os executivos foram convidados a nomear os 40 maiores países em termos de competitividade atual e futura, neste setor, e a eleger os principais fatores que impulsionam a competitividade global na indústria.

Esta tabela aponta para "o surgimento de polos regionais de grande capacidade, com a América do Norte e a Ásia, a dominarem todo o cenário competitivo".

Alemanha e Reino Unido serão os representantes europeus em 2020
Por regiões, os três países da América do Norte - EUA, México e Canadá - que fazem parte do top 10 deverão manter-se nesta posição nos próximos cinco anos. Já na região da Ásia Pacifico, cinco nações deverão entrar para o top 10 até 2020 - China, Japão, Índia, Coreia e Taiwan - "deixando apenas dois lugares vagos para a Alemanha e para o Reino Unido, os únicos representantes da Europa no top 10 em 2020".

Os mais de 500 presidentes executivos que participaram neste estudo identificam como vantagens competitivas a falta de confiança no continente europeu e as leis de responsabilidade decorrentes dos produtos, assim como as políticas relacionadas com a proteção da propriedade intelectual, saúde, transferência de tecnologia, sustentabilidade e ciência.

Por oposição, quando questionados sobre quais os fatores mais penalizadores da competitividade na Europa, consideraram que são as políticas de trabalho, as taxas fiscais individuais e empresariais e as políticas económicas e fiscais.

"Tal como as suas congéneres nos Estados Unidos e no Japão, as empresas europeias estão a apostar em fábricas e produtos inteligentes, assim como na conectividade entre todos os intervenientes humanos e materiais (a Internet das Coisas). A Alemanha, principal produtor de máquinas automatizadas para unidades industriais, é pioneira nesta aposta", afirma Nelson Fontainhas, 'partner' de consultoria da indústria de Consumer & Industrial Products da Deloitte, citado em comunicado.

Nelson Fontainhas diz ainda que "existe um grande foco europeu nas tecnologias avançadas, que está muito alinhado com o conceito da 'Indústria 4.0'", mas sublinha que "existe ainda um caminho a percorrer".

Foram inquiridos mais de 500 executivos de todo o mundo

No caso de Portugal, o responsável refere que "o setor industrial representa cerca de 12,7% do PIB [Produto Interno Bruto] nacional, o equivalente a 23,8 mil milhões de dólares", o que coloca o país "longe ainda da média global".

"No entanto, e através de tantos exemplos positivos, o país tem mostrado ter capacidade e talento para competir com outras nações, não apenas pela competitividade de custos laborais mas também pela inovação e valor acrescentado dos seus produtos e processos. Já o fizemos no passado e é estratégico que o façamos novamente", conclui Nelson Fontainhas.

Quanto aos fatores que mais impulsionam a competitividade no setor industrial, os presidentes executivos destacaram o talento, nomeadamente a disponibilidade de profissionais qualificados, que promovem a adoção de estratégias de produção modernas e inovação.

Aproximadamente 73% dos executivos elegeram a Alemanha como um país "extremamente competitivo" em termos de talento, seguindo-se o Japão (67%) e os Estados Unidos (66%).

A competitividade dos custos foi identificada como a segunda variável com maior influência no nível de competitividade em termos globais, seguindo-se a produtividade, a rede de fornecimento/abastecimento e os sistemas legais e regulatórios.

O Índice de Competitividade Global do Setor Industrial 2016 é o terceiro estudo realizado pela indústria de Consumer & Industrial Products, da Deloitte, e pelo Conselho norte-americano para a Competitividade, depois dos relatórios de 2010 e de 2013.

Este índice pretende ajudar os executivos da indústria e os decisores a avaliar os fatores que mais influenciam a competitividade das empresas e dos países, bem como a identificar os mercados que poderão oferecer os ambientes industriais mais competitivos até ao final desta década.

Para a edição de 2016, foram inquiridos mais de 500 executivos de todo o mundo que operam no setor da indústria.
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