Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
7

EUA/Eleições: Obama tem mais argumentos do que republicanos

O Presidente Barack Obama possui uma fórmula mais poderosa e argumentos mais fortes do que os republicanos para corrigir a actual situação económica nos EUA, disse à Lusa um histórico do Partido Democrata.
9 de Junho de 2012 às 11:03
Barack Obama, eleições, Partido Democrata, republicanos, economia, EUA, Spencer Oliver
Barack Obama, eleições, Partido Democrata, republicanos, economia, EUA, Spencer Oliver FOTO: Reuters

"Nos Estados Unidos a situação económica não está a melhorar da forma rápida que se pretendia, mas também não está a piorar. Neste aspecto penso que Obama tem uma fórmula muito mais poderosa para corrigir a situação e possui argumentos muito mais fortes do que os republicanos", considerou em entrevista por telefone à Lusa Spencer Oliver, actual secretário-geral da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), numa referência às eleições presidenciais que se disputam em Novembro.

"Quando a situação económica é difícil, os eleitores têm tendência para protestar face a quem está no poder e votar contra os eleitos, como se está a assistir por toda a Europa", afirma o antigo dirigente de 74 anos do Partido Democrata norte-americano.

Na década de 70, Spencer Oliver liderou a organização de juventude dos democratas e entre outras funções integrou a direcção da Comissão de Helsínquia para os direitos humanos do Congresso dos Estados Unidos (1976-1985).

"Claro que os republicanos fizeram tudo o que podiam nos últimos três anos e meio para garantir que nenhuma das medidas pretendidas pelo Presidente Barack Obama fosse aprovada no Congresso", sublinha o veterano político democrata e apoiante do actual inquilino da Casa Branca, que em Novembro tenta a reeleição contra o republicano Mitt Romney.

Apesar de viver em Copenhaga, o ex-conselheiro principal do comité para os Assuntos Externos da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA (até Janeiro de 1993) segue com particular atenção a evolução política no seu país.

"Atendendo às circunstâncias, Obama fez um excelente trabalho e penso que o povo americano sabe que a situação apenas não melhorou porque estava confrontado com uma situação terrível herdada da anterior administração republicana, e porque a atual maioria republicana no Congresso recusou apoiar qualquer dos seus esforços para estimular a economia", precisa.

Para o actual responsável da OSCE, a cumprir o terceiro mandato, o eleitorado norte-americano está "consciente da situação".

"Julgo que as pessoas estão conscientes desta situação, mas de facto o desemprego é ainda muito elevado porque os republicanos bloquearam muitos dos programas de estímulo à economia que Obama pretendia, e o legado deixado por George W. Bush leva tempo a recuperar", frisa.

Numa referência específica ao adversário de Obama em Novembro, Spencer Oliver não considera uma surpresa a nomeação de Mitt Romney como candidato presidencial pelo Partido Republicano.

"Mitt Romney foi sempre candidato inevitável porque detinha a maioria dos recursos e uma organização mais ampla e eficiente, ninguém podia de facto competir com ele. Estava na corrida já há quatro anos e com recursos muito além das capacidades dos seus opositores do Partido Republicano", nota.

"Era uma questão de tempo. Houve extremistas de direita que tentaram fomentar uma campanha negativa, e a campanha ter-se-á prolongado por mais tempo do que o desejado por Romney. Mas o inevitável acabou por acontecer e confirmar-se quem seria o nomeado", acrescentou.

Numa referência final aos sectores mais extremistas dos conservadores norte-americanos, deixa um aviso: "Haverá um momento em que Romney terá de repudiar esses sectores, caso contrário será associado a eles. E a maior parte das pessoas sabem que são extremistas, perigosos, de extrema-direita".

Barack Obama eleições Partido Democrata republicanos economia EUA Spencer Oliver
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)