Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Ex-chefe da CIA confirma contactos entre russos e campanha de Trump

Trump tem denunciado estas acusações, dizendo-se vítima de uma 'caça às bruxas' sem precedentes.
24 de Maio de 2017 às 01:25
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump
Um ex-diretor da Agência Central de Informações (CIA, na sigla em inglês), John Brennan, afirmou esta terça-feira no Congresso que se inquietou com contactos ocorridos em 2016 entre dirigentes russos e da equipa da campanha de Donald Trump.

"Apresentaram-me informações que revelaram contactos e interações entre responsáveis russos e cidadãos dos EUA implicados na equipa da campanha de Trump", declarou.

"Isto preocupou-me, porque conhecíamos as tentativas russas para comprar tais indivíduos. Todos devem estar bem conscientes de que a Rússia interferiu descaradamente no nosso processo eleitoral da (eleição) presidencial de 2016 e que o fez apesar dos nossos firmes protestos e avisos claros para não o fazer", insistiu durante um depoimento na comissão de Informações da Câmara dos Representantes.

O ex-chefe da CIA entre 2013 e janeiro de 2017 acrescentou que tinha prevenido claramente os dirigentes russos contra qualquer interferência na eleição presidencial nos EUA, mas que estes tinham escolhido ignorar o aviso, feito no último verão.

Especificamente, Brennan explicou que telefonou ao diretor do FSB (Serviço Federal de Segurança), a principal agência de segurança da Federação Russa, em 04 de agosto de 2016.

"Disse-lhe que todos os norte-americanos, qualquer que fosse a sua etiqueta política ou a sua preferência eleitoral, estavam muito ligados à sua capacidade de escolher os seus dirigentes sem interferências. Disse-lhe que os eleitores norte-americanos sentir-se-iam ultrajados por qualquer ingerência na eleição", relatou Brennan.

Afirmou também que o seu interlocutor, sem surpresa, negou qualquer implicação russa, indicando todavia que ia informar o seu presidente, Vladimir Putin.

Brennan repetiu que a CIA tinha detetado em 2016 possíveis sinais de articulação entre a campanha de Trump e os russos, suspeitas que estão na base de três inquéritos em curso, dois por congressistas e um por um procurador especial, nomeado na semana passada.

"Vi informações que reclamavam um inquérito para determinar se tal articulação tinha ocorrido", disse o ex-chefe da CIA.

Trump tem denunciado estas acusações, dizendo-se vítima de uma 'caça às bruxas' sem precedentes.

Sobre as recentes críticas feitas a Trump por ter revelado ao chefe da diplomacia russa e ao embaixador russo nos EUA informação classificada, fornecida por um país aliado, Brennan estimou que, se as informações reveladas pela imprensa forem corretas, então Trump "teria violado duas regras".

A primeira, prosseguiu, "seria a de que tais informações classificadas como secretas não devem ser partilhadas com embaixadores (...), a segunda é que, antes de as partilhar com parceiros estrangeiros, é preciso assegurar-se que não se vai revelar a fonte e o método de obtenção".

O coordenador das várias agências de informações norte-americanas, Dan Coats, recusou hoje confirmar se Trump lhe tinha pedido ajuda para contrariar o inquérito da polícia federal (FBI, na sigla em inglês) aos laços da sua equipa de campanha com a Rússia.

O Washington Post reportou na segunda-feira que Trump tinha pedido ao diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em Inglês), Mike Rogers, e a Coats que negassem publicamente que existiam provas das relações entre a sua equipa e russos durante a campanha eleitoral.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)