Trump tem denunciado estas acusações, dizendo-se vítima de uma 'caça às bruxas' sem precedentes.
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Um ex-diretor da Agência Central de Informações (CIA, na sigla em inglês), John Brennan, afirmou esta terça-feira no Congresso que se inquietou com contactos ocorridos em 2016 entre dirigentes russos e da equipa da campanha de Donald Trump.
"Apresentaram-me informações que revelaram contactos e interações entre responsáveis russos e cidadãos dos EUA implicados na equipa da campanha de Trump", declarou.
"Isto preocupou-me, porque conhecíamos as tentativas russas para comprar tais indivíduos. Todos devem estar bem conscientes de que a Rússia interferiu descaradamente no nosso processo eleitoral da (eleição) presidencial de 2016 e que o fez apesar dos nossos firmes protestos e avisos claros para não o fazer", insistiu durante um depoimento na comissão de Informações da Câmara dos Representantes.
O ex-chefe da CIA entre 2013 e janeiro de 2017 acrescentou que tinha prevenido claramente os dirigentes russos contra qualquer interferência na eleição presidencial nos EUA, mas que estes tinham escolhido ignorar o aviso, feito no último verão.
Especificamente, Brennan explicou que telefonou ao diretor do FSB (Serviço Federal de Segurança), a principal agência de segurança da Federação Russa, em 04 de agosto de 2016.
"Disse-lhe que todos os norte-americanos, qualquer que fosse a sua etiqueta política ou a sua preferência eleitoral, estavam muito ligados à sua capacidade de escolher os seus dirigentes sem interferências. Disse-lhe que os eleitores norte-americanos sentir-se-iam ultrajados por qualquer ingerência na eleição", relatou Brennan.
Afirmou também que o seu interlocutor, sem surpresa, negou qualquer implicação russa, indicando todavia que ia informar o seu presidente, Vladimir Putin.
Brennan repetiu que a CIA tinha detetado em 2016 possíveis sinais de articulação entre a campanha de Trump e os russos, suspeitas que estão na base de três inquéritos em curso, dois por congressistas e um por um procurador especial, nomeado na semana passada.
"Vi informações que reclamavam um inquérito para determinar se tal articulação tinha ocorrido", disse o ex-chefe da CIA.
Trump tem denunciado estas acusações, dizendo-se vítima de uma 'caça às bruxas' sem precedentes.
Sobre as recentes críticas feitas a Trump por ter revelado ao chefe da diplomacia russa e ao embaixador russo nos EUA informação classificada, fornecida por um país aliado, Brennan estimou que, se as informações reveladas pela imprensa forem corretas, então Trump "teria violado duas regras".
A primeira, prosseguiu, "seria a de que tais informações classificadas como secretas não devem ser partilhadas com embaixadores (...), a segunda é que, antes de as partilhar com parceiros estrangeiros, é preciso assegurar-se que não se vai revelar a fonte e o método de obtenção".
O coordenador das várias agências de informações norte-americanas, Dan Coats, recusou hoje confirmar se Trump lhe tinha pedido ajuda para contrariar o inquérito da polícia federal (FBI, na sigla em inglês) aos laços da sua equipa de campanha com a Rússia.
O Washington Post reportou na segunda-feira que Trump tinha pedido ao diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em Inglês), Mike Rogers, e a Coats que negassem publicamente que existiam provas das relações entre a sua equipa e russos durante a campanha eleitoral.
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