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Correio da Manhã

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Ex-espião enterrado em caixão estanque e selado

O corpo do ex-espião russo Alexander Litvinenko, fechado num caixão estanque à prova de radiação, foi ontem sepultado em Londres, numa cerimónia a que assistiram dezenas de familiares e amigos. Antes, realizara-se um serviço religioso na mesquita de Regent’s Park, mas sem a presença do caixão, devido ao risco de radiação.
8 de Dezembro de 2006 às 00:00
Litvinenko foi sepultado, numa cerimónia privada, no cemitério londrino de Highgate
Litvinenko foi sepultado, numa cerimónia privada, no cemitério londrino de Highgate FOTO: Cathal McNaughton/Reuters
Litvinenko, que se havia convertido ao Islão pouco antes de morrer, tinha pedido um funeral muçulmano, mas as circunstâncias trágicas da sua morte impediram que o pedido fosse cumprido na sua totalidade, isto porque as autoridades britânicas não autorizaram a presença do caixão com o corpo do ex-espião no serviço fúnebre, realizado na mesquita, por perigo de contaminação. Familiares e amigos de Litvinenko, incluindo a mulher, Marina, e o filho, Anatoly, assistiram à cerimónia.
Após o serviço fúnebre e sob forte vigilância policial, o corpo de Litvinenko foi sepultado no cemitério de Highgate, no centro da capital britânica. O ex-espião foi enterrado numa urna de chumbo, selada e estanque, colocada no interior de um caixão de carvalho escuro. Entre os muitos amigos que estiveram presentes no funeral, encontravam-se o independentista tchetcheno Akhmed Zakayev e o milionário russo Boris Berezovsky.
MAIS SETE COM POLÓNIO
Sete funcionários do Hotel Milennium, no centro de Londres, apresentam vestígios de contaminação com polónio-210, a substância que matou Litvinenko. A autoridade britânica de saúde assegurou que se trata apenas de resíduos sem perigo para a saúde dos funcionários.
Entretanto, o ex-primeiro-ministro russo Yegor Gaidar afirmou estar convencido de que também ele foi vítima de uma tentativa de envenenamento, a qual atribuiu a “adversários do Kremlin”, interessados em prejudicar as relações entre a Rússia e o Ocidente.
EMPRESÁRIO CONTAMINADO?
A agência russa Interfax noticiou ontem à tarde que Dmitry Kovtun, um dos dois empresários russos que se reuniram com Litvinenko a 1 de Novembro no Hotel Milennium de Londres, estava internado em “estado crítico” em Moscovo.
No entanto, o advogado de Andrei Lugovoi, outra testemunha importante no caso Litvinenko, afirmou que Kovtun não estava doente.
Segundo a Interfax, Kovtun “entrou em coma” pouco depois de ter sido interrogado na passada quarta-feira pelos detectives britânicos que estão em Moscovo.
O empresário tinha sido internado no início da semana para realizar testes, mas inicialmente não se supunha que estivesse contaminado. Face a este desenvolvimento, a Procuradoria-Geral russa decidiu abrir uma investigação à morte de Litvinenko e à “tentativa de homicídio” de Dmitry Kovtun, admitindo igualmente a possibilidade de enviar investigadores a Londres.
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