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Correio da Manhã

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Ex-espião russo envenenado com chá

O ex-espião russo Alexander Litvinenko foi envenenado com uma dose radioactiva fatal misturada numa chávena de chá que tomou no Hotel Millennium, em Londres. A informação foi ontem avançada pela Sky News, que citou fontes da polícia britânica.
28 de Janeiro de 2007 às 00:00
De acordo com a estação de televisão britânica, a Scotland Yard prepara-se para emitir um mandado de detenção na sequência deste caso, mas os investigadores estão pessimistas quanto à possibilidade de encontrar culpados pelo homicídio. Certo é que segundo a Sky News a substância radioactiva que matou Litvinenko havia sido depositada numa chávena de chá. O antigo membro dos serviços secretos russos, que se tornou opositor do regime e se exilou em Londres, morreu a 23 de Novembro do ano passado, na capital britânica, três semanas após ter sentido os primeiros sintomas de envenenamento com polónio-210.
Anteriormente, a 1 Novembro, Litvinenko tomara chá com outros dois russos, Andrei Lugovoi, um antigo agente do KGB, e Dmitri Kovtun, um empresário, no Hotel Millennium, na capital britânica. A partir daí começou a evidenciar os primeiros sintomas de envenenamento. Um outro russo, Viacheslav Sokolenko, igualmente ex-membro do KGB, encontrou-se igualmente com Litvinenko no Millennium.
Numa carta escrita pouco antes da sua morte, Litvinenko acusava o presidente russo, Vladimir Putin, de ser responsável pela sua morte. O pai do ex-espião, Valter Litvinenko, acusou igualmente o presidente russo ao afirmar em Londres, durante o funeral: “Foi Putin quem matou o meu filho.” As autoridades médicas diagnosticaram que Litvinenko foi envenenado pela rápida deterioração do seu estado de saúde, a qual o levaria à morte alguns dias depois.
Recorde-se que Litvinenko recebeu asilo político no Reino Unido em 2001, após ter denunciado uma alegada conspiração do FSB (antigo KGB) contra o empresário russo Boris Berezovski. Quando Litvinenko foi envenenado estaria a investigar o assassínio da jornalista russa Anna Politkovskaia, abatida a tiro em Moscovo, a 7 de Outubro do ano passado.
LUGOVOI NEGA ENVOLVIMENTO
O empresário russo Andre Lugovoi, que algumas fontes já consideraram se o principal suspeito na morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko, negou ontem qualquer envolvimento no homicídio. “Não tenho ideia de quem esteve por detrás do assassinato”, declarou ontem. “Claro que tenho as minhas próprias suspeitas, já que conversámos algumas vezes”, declarou Lugovoi, que acrescentou ter colaborado com a Scotland Yard quando alguns detectives o interrogaram na Rússia. A Justiça russa desmentiu já informações segundo as quais o Reino Unido tencionava pedir a extradição de Lugovoi para este ser julgado pela morte de Litvinenko.
FIGURAS DO CASO
LUGOVOI
O empresário russo Andre Lugovoi é considerado por algumas fontes o principal suspeito na morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko, com quem se encontrou no Hotel Millennium, na capital britânica.
KOVTUN
Antigo agente do KGB, o empresário Dmitri Kovtun encontrou-se com Litvinenko no Hotel Millennium, em Londres, a 1 de Novembro do ano passado. Kovtun desmentiu ter estado envolvido na morte do seu compatriota.
SOKOLENKO
O russo Viacheslav Sokolenko, outro antigo agente dos serviços secretos de Moscovo, manteve igualmente um breve encontro com Litvinenko no Hotel Millennium, na capital britânica no famigerado dia 1 de Novembro de 2006. Apesar de ter admitido que esteve no referido hotel nesse dia, Sokolenko, nega ser o terceiro homem.
SCARAMELLA
O italiano Mario Scaramella encontrou-se com Alexander Litvinenko no dia 1 de Novembro do ano passado, em Londres, num restaurante japonês. Scaramella, que foi detido, e o antigo espião encontraram--se para discutir sobre vários e-mails que davam conta de que ambos estavam “sob especial atenção de pessoas hostis”.
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