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Correio da Manhã

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Ex-governador do banco central de Angola interrogado sobre transferência de 400 milhões

Valter Filipe foi ouvido pela Procuradoria-Geral da República sobre dinheiro enviado para a Suíça.
Lusa 15 de Março de 2018 às 14:50
Valter Felipe, ex governador do Banco Nacional de Angola
Banco Nacional de Angola, em Luanda
Valter Felipe, ex governador do Banco Nacional de Angola
Banco Nacional de Angola, em Luanda
Valter Felipe, ex governador do Banco Nacional de Angola
Banco Nacional de Angola, em Luanda
O ex-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe, foi ouvido pela Procuradoria-Geral da República pelo suposto envolvimento numa transferência alegadamente ilícita de 500 milhões de dólares (406,2 milhões de euros) para uma conta no exterior do país.

A informação avançada esta quinta-feira pela rádio pública angolana, que cita fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR), dando conta que Valter Filipe foi ouvido "demoradamente" na Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP).

O antigo governador do banco central angolano foi alegadamente ouvido um dia depois de ter regressado a Angola, proveniente da África do Sul, respondendo a uma notificação que o intimava a comparecer na manhã de terça-feira na DNIAP.

A Lusa tinha já contactado a PGR para confirmar esta informação, incluindo as suspeitas do alegado envolvimento de José Filomeno dos Santos - ex-presidente do conselho de administração do Fundo Soberano de Angola e filho do anterior chefe de Estado, José Eduardo dos Santos - neste processo, mas sem sucesso até ao momento.

Já Valter Filipe foi ouvido, avança ainda a emissora estatal angolana, sobre a transferência que realizou em setembro de 2017, um mês antes da sua demissão do cargo a seu pedido, para uma conta do banco Credit Suisse de Londres.

Contactada pela Lusa, em janeiro, sobre este processo, cuja investigação está a decorrer com o apoio das autoridades britânicas, fonte oficial do Serious Fraud Office (SFO) - autoridade especializada da Justiça do Reino Unido em fraude e corrupção complexa - limitou-se a informar que não confirmava ou desmentia o teor das investigações.

Já segundo fonte da PGR, citada na notícia desta quinta-feira, Valter Filipe "entrou e saiu livremente das instalações da DNIAP, com o propósito de colaborar com as autoridades judiciais".

No processo a que agora responde Valter Filipe estão também arrolados outros funcionários do banco central angolano e entidades públicas, cujos nomes não foram revelados, de acordo ainda com a rádio pública.

A fonte da PGR citada sublinha que as autoridades judiciais angolanas querem celeridade no processo, nesse sentido, várias diligências continuam a ser feitas para a recolha de provas, com a auscultação de todos os elementos envolvidos no caso.
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