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Ex-marido de Lindsay Clancy quebra o silêncio sobre a doença mental da mulher e a morte dos filhos

Patrick Clancy deu uma entrevista aos '60 Minutes' juntamente com a nova companheira onde falou da morte dos três filhos e do julgamento público que se seguiu.

21 de setembro de 2026 às 10:17

O ex-marido de Lindsay Clancy contou numa entrevista ao programa '60 Minutes', da CBS, que teve pensamentos suicidas depois do drama que atingiu a sua família, em 2023. Na primeira vez que falou publicamente num programa de televisão, Patrick Clancy abordou a dor da perda dos filhos, bem como os problemas psicológicos da ex-mulher.

O julgamento da enfermeira que matou as três crianças gerou uma série de teorias da conspiração e Patrick foi 'acusado' pelos defensores de Lindsay de não ter dado o devido apoio à mulher. "Isto é profundamente prejudicial ao legado dos meus filhos. É uma enorme distração relativamente ao que realmente importa aqui, que é a saúde mental perinatal. E causou danos reais a pessoas reais, a mim e a outras pessoas", explicou, acrescentando que as reações que leu online foram "dolorosas de se ver". "É possível que algumas pessoas, depois de verem mentira após mentira após mentira, comecem a acreditar, e é com isso que ficamos”, lamentou.

Patrick explicou que poucos meses depois do nascimento do filho mais novo, no outono de 2022, percebeu que a ex-mulher sofria de privação do sono e ansiedade, mas que não sabia como lidar com uma doença pós-parto". "Acho que a doença mental tem essa capacidade de ser tragicamente enganosa. Tenho certeza de que há coisas que não vi", reconheceu.

No final desse ano a saúde da mulher piorou e Lindsay Clancy acabou por ser internada no hospital psiquiátrico McLean, em Massachusetts, na véspera de Ano Novo. Apenas 17 dias depois de ter recebido alta, a mãe estrangulou os três filhos, aproveitando uma ida do marido ao supermercado, e tentou depois suicidar-se, acabando por ficar paraplégica. 

Foi Patrick quem encontrou as crianças. "Lembro-me de pensar 'deem-me um. Deem-me um filho e vou criá-lo da melhor maneira possível, dar-lhe-ei a melhor vida que puder. Contar-lhe-ei sobre os irmãos'". O bebé ainda recuperou os batimentos cardíacos, mas acabou por morrer mais tarde no hospital.

O pai das crianças atribui o assassinato dos filhos à doença mental de Lindsay e recusa a ideia de que a ex-mulher seja uma "mãe assassina" ou "assassina de bebés", como chegou a ler online. "Acho que fiz o melhor que pude com o que tinha na época. E convivo com o resultado. Convivo com isto todos os dias", confessou tristemente, admitindo que a sua vida parou "abruptamente" e que chegou a ter pensamentos suicidas. "Acredito que foi a doença mental dela que causou isto... Não achava que viveria para ver meu 35.º aniversário. E estava completamente bem com isso."

Mudou-se para Nova Iorque à procura de anonimato e foi ali que conheceu a atual companheira, Rachel Danis, que o acompanhou nesta entrevista ao '60 Minutes'. "Sei que não posso consertar tudo – não posso trazer os filhos dele de volta. Mas se puder honrá-los e permitir que o Pat viva o seu luto, mas também continuar a honrá-los no presente... Acho que é tudo o que posso fazer."

Recorde-se que o juiz declarou o julgamento de Lindsay Clancy nulo no último dia 4 de setembro, depois de o júri não ter conseguido chegar a um consenso. Dos 12 jurados, 11 votaram pela absolvição, considerado que a mulher sofria de psicose pós-parto, mas um deles insistia que ela era culpada e não foi, assim, possível chegar a um verdicto unânime.

Ainda este mês será decidido se a enfermeira voltará a ser julgada pelo estrangulamento de Cora, de 5 anos, Dawson, de três, e de Callan, de apenas 8 meses. Para já, continua internada no hospital de Tewksbury, em Massachusetts.

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