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Ex-ministro executado com quatro disparos

Um dia após os assassinatos dos ex-ministros Hélder Proença e Baciro Dabó, novos dados sobre o caso indicam que Baciro, alegadamente morto quando resistia à detenção, foi abatido com três tiros no peito e um na cabeça, sinal claro de uma execução sumária.
7 de Junho de 2009 às 00:30
Familiares e amigos de Baciro Dabó reuniram-se ontem em sua casa, onde foi morto a tiro na sexta-feira
Familiares e amigos de Baciro Dabó reuniram-se ontem em sua casa, onde foi morto a tiro na sexta-feira FOTO: Manuel de Almeida/Lusa

O ex-ministro da Administração Territorial e candidato à presidência foi morto num quarto de sua casa, na presença da mulher, Suncari Dabó. Segundo alguma imprensa guineense, os militares que o mataram saquearam de seguida a sua casa, levando inúmeros objectos valiosos. O suposto furto não foi ainda explicado ou comentado pelas autoridades.

A Direcção-Geral de Informação do Estado, a polícia secreta guineense, afirmou entretanto ter filmes e gravações que comprovam a existência de uma conspiração para afastar o chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o presidente interino, Raimundo Pereira.

Apesar das provas, e da promessa de Induta de deter todos os envolvidos, continuavam ontem em liberdade os supostos cúmplices de Baciro e de Proença.

O Partido da Renovação Social, de Kumba Ialá, candidato às Presidenciais de 28 de Junho, emitiu ontem um comunicado condenando os "actos bárbaros" e pondo em causa a intentona. "Quem são os alegados operacionais implicados? E onde está o arsenal disponível?", pergunta o partido, que acusa ainda o PAIGC – partido de Nino Vieira e dos ministros assassinados – da instabilidade no país.

Em Bissau reinava ontem uma calma aparente. O mercado central da cidade e as lojas comerciais estavam abertos ao público e a população seguia com normalidade as rotinas de fim-de-semana. A única alteração foi o adiamento do início da campanha eleitoral, que estava previsto acontecer ontem.

FRANCISCO FADUL QUER FORÇA MULTINACIONAL

O presidente do Tribunal de Contas da Guiné-Bissau, Francisco Fadul, pôs ontem em causa a teoria de golpe de Estado e defendeu a intervenção de uma força multinacional no país. Fadul considera que os últimos acontecimentos provam que "o Estado se tornou um fiasco, porque não é capaz de zelar pelos interesses dos cidadãos, pela prevenção da ordem mínima". Contra esta posição manifestou-se, entre outros, o coronel Saturnino da Costa, ministro da Presidência. Em sua opinião, "é muito cedo "para ponderar essa opção". O coronel considera ainda não se justificar o adiamento da s eleições presidenciais, agendadas para o próximo dia 28.

PORMENORES

FUNERAIS EM BISSAU

Baciro Dabó e Hélder Proença serão sepultados na capital. O funeral do primeiro terá lugar hoje. Já Proença deverá ser enterrado amanhã ou terça-feira.

CAMPANHA ADIADA

A Comissão Eleitoral anunciou o adiamento do início da campanha e agendou para hoje uma reunião para "reprogramar o processo".

COMISSÃO EUROPEIA

A Comissão Europeia instou o governo guineense a apurar rapidamente as responsabilidades pelos homicídios.

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