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Ex-presidente do Paraguai com prisão decretada pela operação Lava Jato no Brasil

Horacio Cartes é acusado de ter ajudado o mega-negociante ilegal de divisas e de ouro Dario Messer a esconder-se da justiça e da Polícia Federal durante um ano.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 19 de Novembro de 2019 às 15:50
Horacio Cartes, ex-presidente do Paraguai
Horacio Cartes, ex-presidente do Paraguai FOTO: Getty Images

O ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes é um dos alvos da nova fase da operação anti-corrupção Lava Jato desencadeada esta terça-feira, no Brasil. Cartes, que governou o Paraguai até ao ano passado, teve a prisão decretada pelo juíz responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas.

Como Cartes está no Paraguai, onde a Polícia Federal brasileira não tem jurisdição, o seu nome foi incluído na chamada "Difusão Vermelha" da Interpol, a lista dos mais procurados pela polícia internacional, que é distribuída por portos e aeroportos de todo o mundo. Esta manhã, as autoridades do Paraguai alegaram não terem ainda recebido qualquer informação do Brasil sobre o assunto, e que, de qualquer forma, o pedido internacional de prisão terá de ser analisado pela justiça paraguaia antes de ser tomada alguma decisão.

Horacio Cartes é acusado pela Lava Jato do Brasil de ter ajudado o mega-negociante ilegal de divisas e de ouro Dario Messer a esconder-se da justiça e da Polícia Federal durante um ano, após ter tido o mandado de prisão expedido em meados de 2018. Messer só foi preso em São Paulo no final de Julho passado, e a Polícia Federal afirma que o antigo presidente do Paraguai, além de financiar o fugitivo, faz parte da rede de apoio de que o cambista ilegal beneficiou para fugir à justiça brasileira.

Messer e Cartes são amigos há décadas e têm negócios comuns, entre eles uma propriedade agrícola no Paraguai. Segundo a polícia brasileira, Cartes, a quem Messer chamava de "patrão" em mensagens encontradas num telemóvel apreendido, lavou parte da sua imensa fortuna através dos esquemas ilícitos do negociante de divisas e de ouro, considerado um dos maiores do mundo.

Além de Horacio Cartes, a Polícia Federal tenta esta terça-feira cumprir outros 18 mandados de captura contra suspeitos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul, e ainda 18 mandados de busca e apreensão. Uma das primeiras pessoas a serem presas esta terça-feira foi Myra Athayde, namorada de Dario Messer, detida no seu apartamento na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Dario Messer é acusado de ser o principal operador de vários esquemas de corrupção que arrecadavam e distribuíam "luvas" para políticos no Brasil e noutros países da América do Sul. Entre outras empresas, é dono de um banco no Paraguai e no ano passado, ao ser preso no Brasil onde vive há anos, as autoridades brasileiras estimavam que tinha nesse país pelo menos 100 milhões de dólares em dinheiro vivo ilícito.

Na operação desta terça-feira, a Polícia Federal diz ter apreendido 20 milhões de dólares provenientes de corrupção. Desse total, 17 milhões foram bloqueados numa conta num banco nas Bahamas, um paraíso fiscal nas Caraíbas, e o restante no Brasil.
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