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Ex-diretor da Petrobrás acusa tesoureiro do PT de desvio de fundos

Já em liberdade, Paulo Roberto Costa diz que o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores operava desvios de milhões.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 10 de Outubro de 2014 às 18:23
Paulo Roberto Costa, na imagem, acusou o tesoureiro do partido de Lula da Silva e Dilma Rousseff de receber luvas para aceitar novos contratos para a Petrobrás
Paulo Roberto Costa, na imagem, acusou o tesoureiro do partido de Lula da Silva e Dilma Rousseff de receber luvas para aceitar novos contratos para a Petrobrás FOTO: Ueslei Marcelino/Reuters

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, acusou o tesoureiro nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari, de operar um esquema de desvio de milhões de euros de verbas da petrolífera brasileira.

Costa, que ficou preso vários meses acusado de corrupção, foi libertado na segunda-feira e fez o depoimento à justiça federal nesta quinta, depois de ter firmado com o juiz responsável pelo caso, Sérgio Moro, um acordo de colaboração em troca de redução de pena.

O ex-diretor da petrolífera, que foi nomeado para o cargo pelo então presidente Lula da Silva mas decidiu falar depois de ver que o PT ia deixá-lo arcar sozinho com as acusações de desviar somas altíssimas da Petrobrás, afirmou ao juiz que 3% do valor líquido dos contratos de obras firmados pela diretoria que ele comandava na empresa iam para o "saco azul" do partido de Lula da Silva e de Dilma Rousseff. E, para não deixar quaisquer dúvidas, reafirmou que João Vaccari, homem de confiança de Lula e Dilma, era o responsável do esquema, e que as empresas que faziam contratos com a Petrobrás sabiam que para conseguir esses contratos tinham de pagar luvas ao partido.

Outro preso na mesma operação, denominada ‘Lava Jacto’, o negociante de dólares Alberto Yousseff, que a justiça acusa de ter desviado pelo menos 3300 milhões de euros, também acusou o tesoureiro nacional do Partido dos Trabalhadores. Em depoimento prestado esta quinta-feira, Yousseff confirmou ao juiz que se reuniu várias vezes com João Vaccari para acertarem detalhes das verbas a serem desviadas da petrolífera.

Em comunicado enviado ao Correio da Manhã, a direção nacional do PT negou veementemente que o partido tenha recebido qualquer recurso proveniente de desvios de empresas públicas. Segundo o comunicado, todas as doações para as campanhas eleitorais do partido, a que os recursos, segundo os denunciantes, seriam destinados, foram devidamente registadas no Tribunal Superior Eleitoral e aprovadas pelo órgão.

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