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Correio da Manhã

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Execuções enfurecem sunitas

Numerosos sunitas mostraram-se ontem furiosos pela execução de Barzan al-Tikriti, meio-irmão do deposto ditador iraquiano, Saddam Hussein. Sobretudo porque a sua execução foi acidentada e a corda da forca lhe arrancou a cabeça.
17 de Janeiro de 2007 às 00:00
Barzan al-Tikriti, meio-irmão do deposto ditador iraquiano, Saddam Hussein
Barzan al-Tikriti, meio-irmão do deposto ditador iraquiano, Saddam Hussein FOTO: d.r.
Foram muitos os sunitas que não esconderam ontem a sua revolta pelo modo como ocorreu a execução de Barzan, que havia sido condenado à morte por enforcamento. Por outro lado, várias centenas prestaram homenagem ao meio-irmão de Saddam Hussein e ao antigo juiz, ambos enforcados na passada segunda-feira em Bagdad e depois sepultados perto do antigo presidente iraquiano, em Auja, a sua aldeia natal.
As execuções – recorde-se – foram apoiadas pelos xiitas e pelos EUA e condenadas pela ONU e pela União Europeia.
Já o vice-presidente iraquiano, Tarek al-Hachemi, mostrou-se surpreendido pelas execuções, devido ao facto de o Conselho da Presidência ter pedido o seu adiamento.
Isto numa altura em que a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, está a pedir apoio aos países do Golfo para a pacificação do Iraque.
34.452 CIVIS MORTOS EM 2006
Um total de 34 452 civis foram mortos e, pelo menos, 36 mil ficaram feridos em actos de violência no Iraque durante o ano de 2006, anunciou ontem a ONU. Segundo um relatório sobre os Direitos Humanos referente a Novembro e Dezembro, “6367 civis foram mortos e, pelo menos, 6875 ficaram feridos em acções violentas, ocorridas naqueles meses, o que eleva para 34 452 o número total de civis mortos e para 36 685 o de feridos registados em 2006”. Os dados relatório não incluem membros iraquianos das forças de segurança e que a situação é “particularmente grave” em Bagdad. O relatório foi divulgado no dia em que, pelo menos, 65 estudantes (a maioria do sexo feminino), professores e funcionários da universidade de Mustansiriyah, leste de Bagdad, morreram em dois atentados, que causaram ainda 110 feridos. No total, morreram ontem cerca de 100 pessoas na região da capital.
ENFORCAMENTOS
O irmão do ex-ditador iraquiano, Barzan al-Tikriti, foi enforcado juntamente com o antigo juiz Awad al-Bander na segunda-feira. O enforcamento de al-Tikriti, porém, terminou em decapitação, o que gerou inúmeros protestos e levou alguns a acusar as autoridades de intencionalidade. O governo de Bagdad limitou-se a dizer que “foi vontade de Deus”
QUEDA LONDA
O comprimento da corda ao se abrir o cadafalso é calculado segundo a altura, peso e físico do condenado
O comprimento normal vai de 1,5 a 2,5 metros
ANTES DA EXECUÇÃO
1 - Cobre-se a cabeça ao condenado
2 - É colocado o nó corrediço ao redor do pescoço, com o nó atrás das orelhas
3 - São atadas mãos e pernas
4 - A execução acontece quando o cadafalso é aberto e o condenado cai pela abertura
A queda deve fracturar o pescoço do condenado, entre a 2.ª e 3.ª ou entre a 4.ª e a 5.ª vértebras cervicais
Se a queda é demasiado curta, o réu pode morrer estrangulado
Se a queda é demasiado longa, pode acontecer a cabeça separar-se do corpo
TIPOS DE ENFORCAMENTO
QUEDA CURTA
O condenado é posto num cavalo ou numa plataforma, que é retirada e o enforcado fica suspenso
POR SUSPENSÃO
É utilizada uma grua ou algo similar para elevar o reú
QUEDA PADRÃO
Praticada no séc. XIX, a queda é 1,2 a 1,8 metros, para partir o princípio do pescoço
QUEDA GRANDE
É a utilizada no Iraque, baseada no modelo inglês do séc. XIX, que foi levado para o país depois da Primeira Guerra Mundial
A CORDA
Deve ter entre 3,2 e 9,5 cm de diâmetro
Lubrificada com cera ou sabão para assegurar o 'deslizamento suave'
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