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Exército birmanês rejeita "discriminação religiosa" contra 'rohingyas' em conversa com papa

Papa Francisco está no território birmanês com o intuito de transmitir uma mensagem de paz.
Lusa 27 de Novembro de 2017 às 20:25
Papa Francisco
Papa Francisco
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco
Papa Francisco
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco
Papa Francisco
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
Papa Francisco em território birmanês
O chefe do exército da Birmânia (atualmente Myanmar), acusado de liderar uma "limpeza étnica" contra a minoria muçulmana 'rohingya', assegurou esta segunda-feira ao papa Francisco que aquele país não exerce "qualquer discriminação religiosa".

O general Min Aung Hlaing deu esta garantia durante um encontro com o pontífice na cidade birmanesa de Rangum, no âmbito da visita apostólica que Francisco iniciou esta segunda-feira ao território birmanês e que vai terminar, no sábado, no Bangladesh.

A reunião durou 15 minutos e realizou-se na sede do arcebispado de Rangum, onde Francisco está alojado.

"A Birmânia não exerce qualquer discriminação religiosa", declarou o chefe das Forças Armadas birmanesas, citado numa mensagem publicada na rede social Facebook divulgada pelos serviços governamentais.

"O nosso exército (...) age pela paz e pela estabilidade do país", acrescentou.

O exército birmanês foi acusado pelas Nações Unidas e pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, de liderar uma campanha de "limpeza étnica" que resultou na fuga de mais de 620 mil 'rohingyas' do oeste da Birmânia para o vizinho Bangladesh desde agosto passado.

A Birmânia nega qualquer ato repreensível, enquanto os testemunhos dos refugiados 'rohingyas' denunciam uma campanha de violações, assassínios e outros atos de violência.

O papa Francisco, que está no território birmanês com o intuito de transmitir uma mensagem de paz, proferiu palavras em defesa desta minoria muçulmana por diversas ocasiões nos últimos meses.

Posição que irritou alguns nacionalistas budistas mais extremistas na Birmânia, um país mais de 90% budista.

As autoridades da Birmânia impuseram restrições à imprensa internacional durante a visita de Francisco e o pontífice foi mesmo aconselhado a não usar a palavra 'rohingya', de forma a evitar um eventual incidente diplomático e religioso.

Apesar das primeiras movimentações terem começado em outubro do ano passado, o atual êxodo dos 'rohingyas' teve início no final de agosto, quando foi lançada uma operação militar do exército birmanês contra o movimento rebelde Exército de Salvação do Estado Rohingya devido a ataques da rebelião a postos militares e policiais.

O Estado birmanês não reconhece esta minoria e impõe múltiplas restrições aos 'rohingyas', nomeadamente a liberdade de movimentos.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, os 'rohingyas' têm sido submetidos a muitas restrições: não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais).

Esta crise desencadeou uma vaga de críticas à líder de facto da Birmânia, Aung San Suu Kyi.

A Nobel da Paz (1991) foi acusada de ter esquecido os Direitos Humanos e de ter minimizado a situação denunciada pelas vítimas.

Esta crise humanitária já foi classificada como uma das mais graves do início do século XXI.
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