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Correio da Manhã

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Exército deixa ruas do Ulster

Era suposto ser uma missão simples, com a duração de algumas semanas, mas acabou por durar 38 anos. Chegaram a Belfast para ajudar a acabar com a violência entre católicos e protestantes mas tornaram-se num dos principais protagonistas do conflito.
1 de Agosto de 2007 às 00:00
Mais de 300 mil  militares britânicos passaram pelo Ulster
Mais de 300 mil militares britânicos passaram pelo Ulster FOTO: direitos reservados
Na última madrugada chegou finalmente ao fim a missão do Exército britânico na Irlanda do Norte, a mais longa de sempre daquela força militar.
Não houve cerimónia oficial de despedida, nem sequer um último toque de recolher ou simbólico arriar da bandeira. A presença militar britânica, que no auge do conflito chegou a atingir os 27 mil homens (cinco vezes o número de militares britânicos actualmente no Iraque), foi sendo progressivamente reduzida nos últimos anos, paralelamente ao avançar do processo de paz para a Irlanda do Norte, que culminou em Maio último com a formação do primeiro executivo partilhado por católicos e protestantes.
Durante décadas, a imagem dos soldados em camuflado a patrulharem as ruas de Belfast e outras cidades foi uma das situações mais conhecidas da Irlanda do Norte. A partir da meia-noite de ontem, altura em que a ‘Operação Bandeira’ chegou formalmente ao fim, a segurança nas ruas passou oficialmente a ser assegurada pelo Serviço Nacional de Polícia da Irlanda do Norte e os militares saíram de cena.
Na hora da despedida o comandante das tropas britânicas na Irlanda do Norte, general Nick Par-ker, falou do “dever cumprido” e do “contributo para a paz”. “Acredito que os militares tiveram um importante contributo para a segurança na Irlanda do Norte, o qual permitiu que outras pessoas pudessem concentrar-se nas questões políticas, sociais e económicas”, afirmou.
O Exército manterá cinco mil homens na província, mas da sua competência não fará parte qualquer tarefa de segurança “em apoio às autoridades civis”, como até agora: haverá apenas mais um quartel das forças britânicas, onde novos recrutas serão treinados para um possível envio para missões no estrangeiro.
DOMINGO SANGRENTO
A presença militar britânica na Irlanda do Norte ficará indelevelmente manchada pelo seu envolvimento no massacre de 13 civis católicos a 30 de Janeiro de 1972, dia que ficou para a História como o Domingo Sangrento, evocado na célebre música dos irlandeses U2. Apesar das sucessivas investigações, 35 anos depois nenhum soldado foi ainda acusado ou condenado pelo massacre, que ocorreu quando os militares abriram fogo sobre uma manifestação pacífica na cidade de Derry.
SAIBA MAIS
- 763 soldados foram mortos nos 38 anos de presença militar britânica na Irlanda do Norte, muitos deles assassinados por terroristas quando estavam fora de serviço. Dezoito foram mortos num atentado do IRA em 1979.
- 301 é o número de pessoas mortas pelo Exército,
metade das quais civis que nada tinham a ver com organizações paramilitares.
'OPERAÇÃO BANDEIRA'
Foi o nome dado à missão das tropas britânicas na Irlanda do Norte, que não deveria durar mais do que algumas semanas.
CONTINGENTE
Durante os 38 anos que durou a missão estiveram estacionados na província mais de 300 mil soldados britânicos.
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