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EXÉRCITO ISRAELITA INICIA RETIRADA

O Exército israelita iniciou ontem à noite a retirada dos territórios palestinianos ocupados, abandonando a cidade de Belém, na Cisjordânia, ao abrigo do plano ‘Gaza Primeiro’, adoptado domingo passado numa reunião realizada em Telavive entre o ministro da Defesa israelita, Benyamin Ben Eliezer, e o ministro do Interior palestiniano, Abdelrazak al-Yahya.
20 de Agosto de 2002 às 11:11
EXÉRCITO ISRAELITA INICIA RETIRADA
EXÉRCITO ISRAELITA INICIA RETIRADA
A saída das forças israelitas de Belém constitui o primeiro passo da concretização do acordo conseguido em Telavive, que consiste numa retirada gradual das forças israelitas dos territórios autónomos palestinianos ocupados, em troca de cessarem os atentados terroristas contra Israel. Para já, o acordo abrange a Faixa de Gaza e a cidade de Belém.

À medidas que as forças israelitas abandonem as cidades ocupadas, a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) assumirá a segurança. O plano “Gaza Primeiro” é encarado como um primeiro passo para restabelecer a confiança entre israelitas e palestinianos, no sentido de vir a ser possível a retirada do Exército israelita das restantes cidades da Cisjordânia reocupadas há cerca de dois meses na sequência de uma série de atentados palestinianos contra Israel.

O principal objectivo do plano “Gaza Primeiro” será alcançar um cessar-fogo que ponha fim a quase dois anos de sublevação palestiniana contra o ocupação israelita na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, e o regresso à mesa das negociações de paz, interrompidas há cerca de ano e meio.

MOVIMENTOS RADICAIS PALESTINIANOS RECUSAM ACORDO

O acordo não é, todavia, do agrado de todas as facções palestinianas. O movimento islâmico Hamas já rejeitou o plano para a retirada gradual das forças israelitas dos territórios ocupados, alegando que ele tem apenas como objectivo “o fim da Intifada (a sublevação palestiniana), consagrar a ocupação e oferecer a segurança ao inimigo sionista”.

“O Hamas e o povo palestiniano recusam qualquer acordo destinado a refrear a resistência e que não preveja o fim da ocupação”, declarou Ismail Haniya, um dos responsáveis do movimento em Gaza, acrescentando que o acordo é “uma iniciativa para acalmar os palestinianos com o objectivo de preparar um ataque norte-americano contra o Iraque”.

Também o movimento radical Jihad Islâmica recusou o acordo, prometendo mesmo multiplicar os atentados contra Israel, para o inviabilizar. “A resposta do povo palestiniano será uma escalada da resistência para fazer fracassar o plano de Ben Eliezer, que vai consagrar a ocupação da nossa terra por Israel”, declarou Khalid el-Batch, um dos dirigentes do movimento.

INCURSÃO EM TULKAREM

Horas depois de retirar de Belém, esta madrugada, o Exército israelita realizou mais uma incursão do campo de refugiados de Tulkarem, no norte da Cisjordânia, com o objectivo de ali deter 15 activistas palestinianos, alegadamente envolvidos em actos de terrorismo contra Israel. Durante a operação, registaram-se trocas de tiros, que resultaram na morte de dois palestinianos.

Num outro incidente, a sul da cidade de Gaza, na região dos colonatos judeus de Nevé Dekalim, um grupo de palestinianos abriu fogo sobre um soldado israelita, que acabou por morrer no hospital.
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