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Correio da Manhã

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Exilados russos ilibam Putin na morte de ex-espião

A morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko continua a gerar polémica e a suscitar interpretações desencontradas. Um grupo de exilados russos, críticos do presidente Vladimir Putin, considera que o envenenamento em Londres não foi responsabilidade do presidente – como o próprio Litvinenko afirmou em carta póstuma – mas sim de uma das várias facções rivais que disputam o poder na Rússia. A Polícia britânica, por seu lado, não está a investigar a morte como um assassinato, mas como uma “morte inexplicada”, e avalia mesmo a possibilidade de suicídio.
27 de Novembro de 2006 às 00:00
A Polícia isolou a casa de Litvinenko, onde foram encontrados vestígios de radiação
A Polícia isolou a casa de Litvinenko, onde foram encontrados vestígios de radiação FOTO: Epa
“Odiamos Putin. Ele é desprezível. Mas não é suficientemente estúpido para ordenar o homicídio de Litvinenko de uma forma tão lenta e pública”, afirmou, sob anonimato, um influente refugiado russo. Em sua opinião, os responsáveis podem ser “dos serviços de segurança e do Exército”. A outra possibilidade é “uma luta de poder entre facções opostas no Kremlin”, desejosas de “ficar no poder após o fim do mandato de Putin e as eleições de 2008”.
Se for este o cenário, os emigrados russos apontam o dedo a um de dois grupos: o liderado por Igor Sechin, responsável de gabinete da administração de Putin; ou o de Dmitry Medvedev, vice-primeiro-ministro e aliado do presidente. Sechin lidera um grupo de nacionalistas radicais ligados às Forças Armadas e de segurança designado ‘silviki’ e Medvedev está ligado a alguns dos mais poderosos oligarcas russos.
Recorde-se que Litvinenko ficou doente depois de um encontro no restaurante japonês Itsu, em Londres, a 1 de Novembro. Os médicos descobriram vestígios de uma substância radioactiva, Polónio-210, no seu organismo. Após a morte, na quinta-feira, amigos leram uma carta sua na qual acusava Putin.
A Polícia britânica investiga várias explicações para a morte do ex--espião. A possibilidade de um suicídio para inculpar Putin, embora improvável, não foi ainda descartada.
Entretanto, o apelo das autoridades britânicas às pessoas que mantiveram contacto com Litvinenko para ligarem para uma linha especial de aconselhamento originou uma onda de pânico. Centenas de telefonemas foram recebidos no fim-de-semana. Apesar de as autoridades garantirem que há um risco mínimo de contaminação, o medo aumentou ao saber-se que foram descobertos vestígios de Polónio no restaurante onde jantou e na sua casa.
JORNAL IDENTIFICA ASSASSINO
O jornal britânico ‘News of the World’ noticiou ontem que o presumível assassino do espião russo Alexander Litvinenko é um ex-operacional das Spetsnaz, as forças especiais russas, de nome Igor, 46 anos. Entre outras particularidades, o jornal diz que fala... português.
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