Uma gigantesca explosão foi registada na Coreia do Norte, na semana passada, e um satélite militar sul-coreano detectou na altura uma “nuvem peculiar” sobre a região, mas as autoridades da Coreia do Sul e dos Estados Unidos da América não confirmam ter-se tratado de um teste nuclear, antes levantando dúvidas sobre a probabilidade de o regime de Pyongyang detonar uma bomba atómica próximo da fronteira com a China.
Uma detonação atómica experimental na Coreia do Norte iria alterar por completo a equação estratégica na região... e no Mundo. A Coreia do Norte é governada por um regime de características estalinistas, que mantém o país absolutamente isolado do Mundo. Tem um único aliado, a China, admite ter um programa nuclear e permanece em estado técnico de guerra com a Coreia do Sul, já que o conflito de 1950-53 terminou apenas com um armistício. Por essa razão, os EUA mantêm na Coreia do Sul mais de 30 mil soldados e as autoridades sul-coreanas estão a pensar mudar a capital do país, já que Seul está à distância de tiro de artilharia da fronteira com o Norte, a chamada zona dismilitarizada DMZ, ou seja, a fronteira mais armada do Mundo... e por causa da qual os EUA não aderiram à moratória global contra as minas terrestres.
Na semana passada, quarta-feira à noite ou quinta-feira de manhã, a região norte da Coreia do Norte foi sacudida por uma enorme explosão e um satélite sul-coreano detectou uma ‘nuvem peculiar’ sobre a área. A agência noticiosa sul-coreana Yonhap revelou que a explosão ocorreu no condado de Kimhyungjik, província de Ryanggang, próximo da fronteira com a China ao longo do Rio Yalu. Segundo esta fonte, a detonação foi mais forte que a explosão de um comboio em Abril último, responsável pela morte de pelo menos 170 pessoas e pela destruição parcial de uma cidade na Coreia do Norte.
O momento da explosão é de grande pertinência simbólica, uma vez que a Coreia do Norte celebrou na passada quinta-feira o 56º aniversário do seu regime e datas como essa costumam ser assinaladas por grandes extravagâncias. Porque não o teste nuclear que o jornal norte-americano “The New York Times”, na sua edição de hoje, garante que o país está preparado para conduzir?
Porque a zona da explosão é demasiado próxima da fronteira com a China, o que poderia significar para Pyongyang a perda do seu único aliado externo, e porque tal desenvolvimento iria comprometer as perspectivas de uma resolução positiva do problema coreano. Estas são as explicações avançadas por alguns especialistas sul-coreanos e norte-americanos. As autoridades destes dois países não excluem para já ter-se tratado de um teste atómico, mas levantam dúvidas e pedem mais tempo para analisar as provas.
Alguns analistas sul-coreanos referem a existência de muitas fábricas de armamento, incluindo uma de processamento e de bases subterrâneas de mísseis na região onde ocorreu a explosão, levantando a hipótese de se ter tratado de um acidente com combustível para foguetões, ou de um ensaio com explosivos de alta potência.
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