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Correio da Manhã

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EXPLOSIVOS NO MERCADO NEGRO DESDE 2003

Os 150 quilos de explosivos usados pelos terroristas nos atentados de Madrid estavam no ‘mercado negro’ desde o início de 2003 e a Polícia espanhola tinha conhecimento disso, apesar de não ter acreditado na informação que lhe foi comunicada pelo informador Rafa Zouhier.
29 de Julho de 2004 às 00:00
Segundo apurou a comissão parlamentar de inquérito ao 11 de Março, Zouhier alertou os seus contactos na Guarda Civil, no início de 2003, para a existência de 150 quilos de explosivos no “mercado negro”. Segundo Zouhier, o seu amigo Antonio Toro (cunhado de Emilio Trashorras, que serviu de intermediário na venda dos explosivos aos terroristas) disse-lhe que conseguia arranjar aquela quantidade de explosivos, informação que Zouhier passou à Polícia. Na altura, no entanto, as autoridades não lhe deram crédito, primeiro porque inicialmente ele lhes tinha falado em apenas “dois a três quilos” e, segundo, porque “se tratava de uma quantidade que não se encontra todos os dias”, segundo explicou um dos agentes à comissão.
A Guarda Civil chegou a investigar o assunto, mas apurou-se agora que aquilo que está descrito nos ficheiros como uma “vasta e extensa operação policial” se limitou a uma investigação (infrutífera) de apenas dois dias, e que não conseguiu sequer identificar os associados de Alfredo Toro, nomeadamente, Emilio Trashorras.
Entretanto, o ex-ministro espanhol do Interior, Angel Acebes, assegurou ontem, perante a comissão, que o seu governo “nunca mentiu” nos dias seguintes ao 11 de Março e pediu que se investigue o “alcance real da sombra da ETA” nos atentados. Acebes disse ainda que o governo do Partido Popular foi alvo de uma “estratégia eleitoral” que consistiu em “semear a infâmia de que o governo manipulava a seu bel-prazer a informação”. “É preciso investigar quem planeou os ataques e quem delineou a sequência de eventos, especialmente o dia e a hora [na tarde do dia anterior às eleições] a que foi reivindicado o atentado”, afirmou.
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